Cidadeverde.com

‘Centrão’ é disputado por governistas e petistas


Ciro Nogueira: um dos líderes do Centrão, senador piauiense será decisivo na escolha do candidato a presidente apoiado pelo grupo

 

Falta pouco para o período de convenções que vai oficializar as alianças e os candidatos à presidência da República. E, às vésperas dos prazos decisivos, um segmento político vem sendo disputado a ferro e fogo. É o “Centrão”, grupo de partidos que funcionam como pêndulo, hora decantando-se para um lado, ora para outro. Agora, o grupo é disputado especialmente pelos governistas e os petistas, os dois lados se esforçando por tirar Ciro Gomes (PDT) da jogada.

O “Centrão” é composto por uma dezena de partidos, com destaque para o Progressista de Ciro Nogueira, o DEM de Rodrigo maia e ainda PSD, SD, PRB e PSC. Ontem, Ciro e Rodrigo articulavam reuniões no sentido de buscar uma candidatura que unisse o mais possível esses partidos, que desejam ser decisivos desde já. Um entendimento está longe de ser alcançado, mas Ciro Nogueira e Rodrigo Maia terão papel crucial nessa definição.

Como partidos estruturados e com lideranças regionais fortes – portanto, capazes de transferir votos –, o grupo é cobiçado. Geraldo Alckmin (PSDB) sempre flertou com esse time. Em certo momento, até era foi visto com a preferência da grande maioria dos “centristas”. Naõ está descartado. Mas, em razão dos baixos índices nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin foi perdendo preferência. Ao mesmo tempo, cresceu a alternativa Ciro Gomes.

A opção pelo candidato do PDT tem um padrinho em especial: o muito influente Ciro Nogueira. O piauiense já declarou que, sem Lula, tem preferência por Ciro Gomes. Mas é preciso saber o que diz seu partido e também as siglas aliadas.

O PT e aqueles mais próximos ao governo Temer também estão atentos a esse enorme quinhão. Petistas e governistas se aproximam do “Centrão” desesperadamente, antes que o time tome um lado do campo eleitoral. Em primeiro lugar, tentam que o grupo não se decida por Ciro Gomes, o preferido do momento. Depois, tentam atrair para si os votos desse segmento fortemente instalado sobretudo nos grotões.

Os dois lados têm o mesmo problema: a falta de candidatos que possam ser apresentados como realmente viáveis. O PT dificilmente poderá contar com Lula. E os nomes mais próximos do governo – como Henrique Meireles –  simplesmente não deslancharam. O “Centrão” não joga para perder. E quer ir para o lado com reais possibilidades de vitória.
 

Grupo quer ser decisivo já na campanha

A estratégia do “Centrão” é conhecida: cria um bloco razoavelmente coeso e força que, qualquer que seja o governo, precisa conversar com os partidos que formam o grupo. Sem essa conversa, a própria governabilidade pode ficar comprometida. O Progressista, por exemplo, se esforça para ser o partido de maior bancada no Congresso. Assim, seja quem for o próximo presidente, precisará conversar com ele.

Mas o “Centrão” não quer esperar a posse do novo presidente para ter peso. Quer ter relevância logo, já na campanha. É por isso que o grupo tenta encontrar uma opção comum. E como as pesquisas mostraram uma certa viabilidade de Ciro Gomes, boa parte dos “centristas” acena para o candidato do PDT.

PT e governistas sabem do poder eleitoral do grupo. Daí, nenhum dos dois pretende deixar escapar aliados que podem ser decisivos em outubro.