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Chapa do governo enfrenta turbulência fora de hora


Wellington Dias: tranquilidade quebrada na reta final de composição da chapa governista com vistas às eleições de outubro

 

Até agora, a chapa governista vinha voando em céu de brigadeiro, aqui acolá enfrentando algumas pequenas nuvens carregadas. Mas nunca essas nuvens fizeram o governador Wellington Dias (PT) e seus principais aliados mudarem o plano de voo. Nos últimos dias, no entanto, surgiram raios e trovoadas gerando uma turbulência tão inesperada quanto fora de hora.

Uma das dificuldades enfrentadas pelo governador em seu plano de tranquila reeleição vem do próprio PT, que insiste em abraçar uma tese que seria contrária à defendida pelo próprio Wellington Dias junto aos partidos aliados: Wellington quer o chapão, acomodando as maiores siglas da aliança governista em uma só coligação para a disputa das vagas proporcionais, tanto na Câmara quanto na Assembleia. O PT não quer nem ouvir falar disso e diz que é questão fechada a chapa pura para deputado estadual.

Essa  questão fechada desagrada especialmente o MDB, que quer e depende do chapão para reeleger seus deputados. O cálculo era que essa defesa do PT estava associada a uma possível troca, nos próximos dias: o partido concede o chapão e o MDB abre mão da vice em nome de Regina Sousa. Tal troca ainda é levada em conta pelos analistas, mas cresce a convicção de que Wellington não está conseguindo dobrar seu partido em nome de uma aliança que garanta a tranquila reeleição.

Outros ruídos aparecem fora do PT. É o caso da candidatura de Frank Aguiar (PRB) ao Senado. Mesmo vice-líder das pesquisas de opinião, Frank foi rifado das articulações da chapa majoritário. Descontente, o cantor criticou o governador e agora tenta viabilizar a candidatura no seio da oposição.

Ainda relacionado ao Senado, quem causa desconforto dentro da chapa governista é o PTC, que apresentou o ex-prefeito Marcos Vinícius como postulante a uma vaga na Câmara Alta. Até aí tudo bem. O que ninguém esperava era que o PTC já escolhesse o outro nome que apoiará para o Senado – o da petista Regina Sousa. Pior: Marcos Vinícius fez de um colega de governo – o senador Ciro Nogueira – o seu saco de pancadas.
 

MDB mostra suas unhas

Todos esses ruídos dão a entender que a tranquila composição da chapa governista não está tão tranquila como se imaginava. Há divergências importantes. Nessa reta final, às véspera das convenções, cada um puxa a corda até onde pode. Que o diga o MDB. Ontem, o deputado Zé Santana foi claríssimo quanto ao desconforto de alguns setores do grupo palaciano.

Zé Santana cobrou definição de Wellington tanto em relação ao lugar do MDB na chapa majoritária quanto em relação à chapa proporcional – chapão desejado pelos emedebistas. 

Segundo ele, o MDB não se contentará com meia participação: ou o partido é comtemplado plenamente, ou pode seguir outro rumo.

Tantos raios e trovoadas, nessa hora, não estavam nos planos de voo de Wellington.