Cidadeverde.com

Diferente das pesquisas, Alckmin ganha em apoio político


Geraldo Alckmin: Sem deslanchar nas pesquisas, presidenciável do PSDB conquista apoios políticos que podem mudar o jogo

 

O candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, vai conseguindo chegar à fase de realização das convenções colocando vantagem sobre os adversários. Não propriamente vantagem nas intenções de voto, onde ainda está longe de deslanchar. Mas Alckmin consegue um fato importante para uma campanha, que é o apoio de grupos políticos e partidários.

Formalmente, o ex-governador de São Paulo já conta com o apoio do PTB e do PSD, dois partidos de expressão. E está em estado adiantado a costura do apoio do chamado Centrão, que reúne sete partidos de médio e grande porte. Esse blocão, que tem sido determinante para a governabilidade desde o período Lula, passando por Dilma e Temer, tem também um importante potencial de voto. Fazem parte do grupo Democratas, Solidariedade, Progressistas, PRB, PR, PHS e Avante.

O Centrão quer tomar uma decisão conjunta para ter poder de fogo na eleição e (mais ainda) em um eventual governo do candidato que escolher. Mas não é um entendimento fácil, diante das divergências entre os partidos. O grupo discute fundamentalmente entre duas opções: Alckmin e Ciro Gomes (PDT).

Ciro Nogueira (Progressista) e Paulinho da Força (Solidariedade) preferem Ciro Gomes. O DEM se mostra dividido, com Rodrigo Maia decantando-se por Ciro e os aliados de ACM Neto optando por Alckmin. Já Marcos Pereira, do PRB, tem manifesta preferência por Alckmin. Mas quem parece estar fazendo o bloco pender de vez para o candidato do PSDB é o PR: Valdemar Neto colocou na mesa o nome de Josué Alencar – filho do ex-vice-presidente José Alencar – como opção para vice de Alckmin. Josué e o PR não uma espécie de noiva, com proposta de casamento vindas tanto de Ciro como de Alckmin.

Se conseguir fechar esse apoio, o tucano terá dado um grande passo – pelos menos em termos de articulação política.
 

Adversários buscam apoio que não chega

A campanha eleitoral desde ano vai mostrando uma fragmentação de opções só encontrada no pleito de 1989. E tal fragmentação se reflete no pouco apoio que os candidatos vêm recebendo, inclusive os que aparecem no alto da lista de intenção devoto. Um exemplo é Jair Bolsonaro (PSL), líder das pesquisas sem Lula, mas que não consegue sequer fazer que alguém aceite seu convite para o posto de vice.

Bolsonaro já fez dois convites, ambos declinados. Até agora não conta com um único apoio partidário confirmado, o que o deixa quase sem tempo de TV. Marina Silva (REDE), a segunda nas pesquisas, até agora conseguiu apoio de partido minúsculo, sem tempo para a propaganda eleitoral. E até Ciro Gomes tem dificuldades de atrair apoios. Espera o reforço de partidos como o PCdoB, que ainda não chegou.

Ciro disputa especialmente os partidos do Centrão. Mas até agora o grupo não decidiu. Pior: os sete partidos que desejam tomar uma atitude comum estão cada vez mais perto de Geraldo Alckmin.