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Acordo entre MDB e Wellington ainda não foi selado


Wellington Dias e Themístocles Filho: foto do tempo em que os dois exibiam em público largos sorrisos de confiança

 

Há conversas e há desenho de acordo. Mas o acordo propriamente entre o governador Wellington Dias (PT) e o MDB ainda não foi selado, especialmente pelo fato do deputado Themístocles Filho manter um pé atrás. É a história: gato escaldado tem medo de água fria. E a água que mete medo em Themístocles parece ser mais gente do próprio partido que o do time do PT.

O desenho do acordo inclui três pontos. O primeiro – e o mais importante – é o apoio à candidatura de Marco Aurélio Sampaio, o filho de Themístocles que agora se coloca como postulante a uma vaga na Câmara Federal. Os dois outros pontos, segundo avaliações políticas, estariam relacionados à futura vaga no TCE e a eleição de um membro do MDB para a presidência da Assembleia, na eleição de fevereiro próximo. Esse é um posto que o PT deseja há tempos, tanto que vinha fazendo questão da chapa pura para alcançar maior presença na Assembleia.

Se o acordo sair, a direção do Legislativo estadual pode ficar outra vez com um membro do MDB.

Quanto ao apoio à candidatura de Marco Aurélio, viria especialmente de Marcelo Castro, que destinaria parte de seus redutos para o novo postulante à Câmara. O problema é que esse apoio vai se diluindo, inclusive pelo fato de Marcelo não ter comunicado ainda às bases que mudou de projeto eleitoral, agora como candidato ao Senado. A demora seria exatamente para não liberar as bases. Mas as bases começam a se liberar por si. E sem um indicativo de apoio real e consistente, essa promessa tende a não surtir efeito.

Segundo comentários dentro do próprio MDB, Themístocles gostaria de algo mais concreto que a promessa de apoio. Sabe da própria e recente experiência que promessa pode não se transformar em fato.

E toda essa demora desagrada ao governador Wellington Dias, que vê pela primeira vez alguma dúvida em torno de seu bloco de aliados. Há descontentes, sim. E em vários partidos. Integrantes do Progressista e do próprio MDB mais próximo do Karnak já pediram que o governo faça logo uma avaliação do real impacto provocado no eleitorado pela mudança no desenho da chapa proporcional.

Acredita-se que não tenha sido pequeno. Mas também avalia-se que há tempo para corrigir possíveis desgastes. E a primeira correção seria manter Themístocles na base, o que significaria praticamente segurar todo o MDB.