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Comprador da Cepisa prevê aumento de servidores


Leilão da Cepisa, ontem, em São Paulo: perspectivas de novos investimentos que gerem mais emprego na empresa

 

Um dos mais ferrenhos críticos da qualidade da energia vendida pela Cepisa, o presidente da Associação Industrial do Piauí, Gilberto Pedrosa, estava sorridente, ontem. Tão eufórico que não se furtou em repartir a felicidade: distribuiu mensagens via internet comemorando o leilão que passa o controle da Cepisa para a iniciativa privada. Uma comemoração recheada de números: o investimento total a ser feito na empresa, o imposto a ser recolhido pelo estado e o percentual de redução da tarifa ao consumidor.

Gilberto Pedrosa talvez contasse com mais motivos para comemorar se tivesse acompanhado a entrevista coletiva de Augusto Miranda, o presidente da Equatotial Energia, que arrematou a companhia de distribuição de energia do Piauí. Augusto explico a razão estratégia da compra – uma empresa que já atua na região e mantém relação com a Cepisa. Assim, a compra é só um passo a mais na atuação que já tem por aqui, como dona da distribuidora de energia no Maranhão, a Cemar.

O que certamente animaria muito mais Gilberto Pedrosa é a perspectiva da nova Cepisa seguir na contramão do temor dos empregados e sindicalistas: ao invés de demitir, a empresa deve contratar. Augusto Miranda aponta para essa perspectiva tomando como exemplo as duas empresas controladas pela Equatorial: a Celma e a Celpa (no Pará). Em ambos os casos, o número de trabalhadores praticamemnte dobrou. No caso do Celpa, saiu de 3 mil funcionários no final da fase estatal para os 6 mil de hoje.

Augusto afirma que isso deve acontecer também no Piauí. E por uma razão muito simples: serão feitos investimentos que gerarão novos negócios. E para mantê-los a Cepisa precisará de mais gente. Disse mais: a disposição inicial é manter os trabalhadores que “comprarem o negócio”. Segundo ele, o primeiro passo da empresa será "vender" o negócio, contar com parceiros que acreditem na nova Cepisa. Quem acreditar – incluindo funcionários – estará no projeto.

O investimento inicial está definido na proposta apresentada no leilão: serão R$ 720 milhões em ações que garantam melhor qualidade da energia ofertada, o que traz junto a possibilidade de ampliar os negócios da empresa – por exemplo, assegurando o suprimento energéticos a novos empreendimentos, o que significa mais faturamento para a companhia.
 

A estratégia da Equatorial na compra da Cepisa

A compra da Cepisa pela Equatorial Energia tem uma estratégia bem clara: quer se valer da sinergia com as distribuidoras do Maranhão e Pará e formar um grande bloco de atuação da empresa. Olhando dessa forma, a compra deve indicar que ela estará presente nos futuros leilões. Se o argumento vale para o Piauí, certamente valerá para as distribuidoras do Amapá e Amazonas, por exemplo. E também para as de Roraima e Rondônia.

O mercado avalia que o negócio com a Cepisa só se justifica por isso e pelas possibilidades de crescimento do Estado. Sim, porque a média de consumo por cliente, no caso da Cepisa, é um valor baixo. Para ganhar dinheiro só com a Cepisa, precisa ampliar clientes e contar com grandes consumidores – coisa rara no Piauí. Daí, a sinergia explica boa parte da estratégia.

Seja como for, o resultado do leilão abre novos horizontes para os consumidores piauienses. Basta lembrar, quando a Equatorial comprou a Cemar, ela era a pior empresa no ranking Eletrobrás. Hoje, é a segunda melhor. Que assim seja com a Cepisa.