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Alckmin enfrenta conflitos regionais, inclusive no Piauí


Geraldo Alckmin: com o apoio do Centrão, tucano ganha um grande potencial de voto e alguns conflitos regionais que podem trazer problemas

 

No mais expressivo acontecimento deste início do prazo para realização das convenções partidárias, Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu o apoio do Centrão – aquele importante bloco de partidos com alto poder político e considerável potencial de transferência de voto. Mas além do poder político e eleitoral, Alckmin leva no pacote uma série de divergências regionais que, em muitos casos, pode simplesmente minar uma parte do potencial de votos previsto.

A dificuldade que a realidade regional vai impor a Alckmin ficou patente logo após a solenidade que formalizou o apoio do grupo, e através da voz do senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do Progressista. Indagado por um repórter, Ciro disse que se Lula for candidato, pessoalmente votará no petista.

A frase revela bem o sistema partidário brasileiro onde nem mesmo o presidente de uma sigla consegue ser fiel às decisões coletivas. Também revela um pouco do teatro político nacional, aqui entendendo-se teatro como encenação, como o jogo de encantamento da plateia, ou pelo menos de uma certa plateia.

O senador sabe que as chances de Lula ser candidato são remotas – como já admitiu em entrevista à Rádio Cidade Verde. Talvez até tenha informações que essas chances são nulas. Mas acena com a possibilidade de votar em Lula, quase ao mesmo tempo em que anuncia o apoio do PP a Alckmin.

A diferença entre a fala (pró-Lula) e o ato (pró-Alckmin) tem a ver com a situação de Ciro no Piauí, onde é aliado do PT, um PT onde alguns resistem em abraçar o senador progressista. A fala é um afago nos aliados locais e o ato um projeto real de Poder para os próximos quatro anos.
 

Os problemas de Alckmin nos estados

Geraldo Alckmin já conta com o apoio de dez siglas: o núcleo do Centrão (PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade), PSD, PTB, PPS e PV, além do próprio PSDB. Dez partidos e um mundo de divergências regionais. O caso do Piauí é só um que o tucano terá que administrar. Em 12 estados há confronto entre partidos do bloco, o que sempre pode implicar em opções diferentes por aliados formais que, de fato, vão pedir voto para outro presidenciável que não o oficialmente escolhido.

Alguns casos chamam atenção:

• Em seis estados o próprio PSDB tem um embate direto com o DEM, incluindo Rio e Minas, segundo e terceiro colégios eleitorais do país. E mais em Mato Grosso, Goiás, Sergipe e Santa Catarina.
• O PRB é adversário do PSDB em Roraima.
• O Solidariedade briga no Rio Grande do Norte com o PSD, que é apoiado pelos tucanos.
• O PP pode concorrer com o partido de Alckmin em quatro Estados: Amazonas, Roraima, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
• E o PR também deverá ter candidato em Mato Grosso e Santa Catarina. 

Para completar tem o caso do Piauí, onde o PP (do lado do PT) teoricamente enfrenta o PSDB de Alckmin. Mas aqui o PSDB como oposição não é um problema. Problema mesmo é o reflexo da aliança do PP com o PT no palanque nacional.