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Luciano tenta pescar no descontentamento na base governista


Luciano Nunes e Ciro Nogueira com lideranças da região de Oeiras, em Santa Rosa: oposição e base governista se misturam pelo interior

 

O pré-candidato do PSDB ao governo do Estado, deputado Luciano Nunes, está correndo contra o tempo para pescar no rio revolto da base de sustentação do governo Wellington Dias (PT). Desde a decisão de Wellington de reservar para o PT o lugar de vice na sua chapa majoritária, há explícitos descontentamentos entre aliados, uma parte dispondo-se até mesmo a seguir um rumo que não seja o palanque governista. É aí onde Luciano lança sua rede.

Nos últimos dias, Luciano traduziu em manifestações públicas esse descontentamento transformado em adesão ao tucano. Um dos primeiros a colocar a cara e declarar apoio ao tucano foi o prefeito de Regeneração, Hermes Júnior. Hermes é do PR, liderado pelo deputado Fábio Xavier, que é alinhadíssimo com o Karnak.

No final de semana, o tucano distribuiu fotos em que aparece com lideranças na região de Oeiras. Além de receber apoio de lideranças do Progressista na região, ainda se deu ao luxo de posar em meio ao povo em companhia do senador Ciro Nogueira. Ciro é presidente do Progressista e candidato à reeleição na chapa de Wellington. A foto dá o que falar.

“Quero o apoio de todos os descontentes”, afirma Luciano, procurando demonstrar a ideia de crescimento de sua candidatura precisamente colhendo na plantação petista.

Algumas manifestações desse tipo eram esperadas. Em muitas cidades, integrantes de partidos aliados de Wellington Dias não conseguem conviver, muito menos subir no mesmo palanque. Quando isso acontece, o segmento que se acha menos prestigiado pelo governo termina tomando outro rumo, indiferente à decisão oficial do partido.

Um exemplo dessa situação é Oeiras. Lá há dois grandes grupos – os ligados aos Tapety e o que orbita em torno de B. Sá. A indicação de Marcelo Castro para a chapa majoritária fortalece a família Tapety, que mantém estreita relação com o deputado. Ao mesmo tempo, afasta o grupo de B. Sá, que não engole ver os arqui-inimigos em posição tão vantajosa.

Luciano está de olho nesse tipo de descontentamento fruto dos problemas locais. E também nas reações às mudanças na chapa majoritária governista.
 

Assis pressiona por apoio a Ciro

Se depender do presidente estadual do PT, deputado Assis Carvalho, o senador Ciro Nogueira (PP) não terá dúvidas sobre o apoio dos petistas à sua candidatura de reeleição ao Senado. Assis tem pressionado aliados refratários ao senador progressista, um sentimento que é alimentado desde 2016, quando Ciro apoiou o impeachment de Dilma Rousseff.

Assis vem demonstrar uma afinidade com Ciro que não havia antes. Vale lembrar, o próprio deputado engrossou o coro de críticas ao senador, depois do impeachment. As idas e vindas sobre a chapa majoritária parecem ter reaproximado os dois – por exemplo, ambos se posicionavam mais por Marcelo Castro que por Themístocles Filho.

A aproximação, se depender de Assis, seguirá pelo menos até outubro.