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Tarso Genro quer Boulos como candidato das esquerdas


Tarso Genro: de olho na união das esquerdas, admite um candidato de fora do PT, mais precisamente de Guilherme Boulos (PSOL) 
 

Para todos os efeitos, o PT tem um plano único com vistas à disputa pela Presidência da República: Lula. Os movimentos dentro do partido vão mostrando, no entanto, que o partido tenta construir o plano alternativo, sabedor da quase remota possibilidade de Lula ser confirmado candidato. Até aí, nada de novo. O novo mesmo é ver lideranças petistas como o ex-ministro Tarso Genro defender que o partido adote como candidato um nome de fora do partido.

Tarso genro é um histórico do PT. Ele levou o partido à prefeitura de Porto Alegre e ao governo do Rio Grande do Sul. Também foi ministro de três pastas (Educação, Relações Institucionais e Justiça) no período Lula. Tarso impinge uma dupla quebra no discurso petista. Primeiro, acha que o partido deve buscar logo a alternativa à candidatura Lula. Segundo, acha que o escolhido não precisa ser o petista Fernando Haddad. E defende que seja Guilherme Boulos, do PSOL.

O raciocínio de Tarso Genro não é uma exclusividade. Muitos – entre eles a pré-candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila – vêm risco na divisão das esquerdas. Essa divisão pode fazer que o campo esquerdista esteja fora do segundo turno. Daí, a unificação em torno de um único nome seria um caminho razoável, a estratégia mais segura.

Em algum momento, Ciro Gomes (PDT) chegou a ser lembrado como essa alternativa. Mas Ciro vai acumulando falas polêmicas que o impedem de somar apoios e até levam à perda de potenciais aliados. O PT e o PCdoB estão nesse último caso, em especial o PT. O candidato do PDT faz críticas às estratégias petistas e vai diminuindo a chance de ser o nome a representar as esquerdas.

Muito em razão da língua de Ciro, que atira para todos os lados, a própria Manuela já disse que, sem acordo em torno de uma única candidatura, ela não tem porque levar o PCdoB a outro candidato. E, se permanecer assim, ela mantém a candidatura comunista. Tarso Genro chega para tentar repor a perspectiva de unidade – e não necessariamente com o seu PT, e sim com Boulos.

Vale lembrar, Boulos tem grande proximidade com o núcleo petista mais alinhado com Lula. Antes de ser preso, no início de abril, o próprio Lula não cansou de fazer festa para o candidato do PSOL. Com tais afagos, queria que o PSOL abandonasse a candidatura própria e reforçasse a estratégia petista.

Pois Tarso Genro chega com um pensamento inverso: que o PT esqueça seu próprio nome – no caso o plano B personificado em Fernando Haddad – e apóie Boulos. É uma proposta que vai dar o que falar, especialmente dentro do PT, que vê um nome “de casa” sendo desqualificado como alternativa dentro do próprio terreiro.

Há um problema a mais: a convenção do partido acontece no sábado. Até lá, qualquer acordo será muito difícil, ainda mais em torno de um não filiado ao PT.