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Ana Amélia, o Progressista que não é de Ciro


Ana Amélia, a vice de Alckmin: senadora é do Progressista, mas de uma ala que muitas vezes discreta de Ciro Nogueira

 

A indicação da senadora Ana Amélia como vice de Geraldo Alckmin é uma vitória do Progressista, o principal partido do Centrão, e que é presidido pelo senador piauiense Ciro Nogueira. Mas não é exatamente uma vitória de Ciro. Ana Amélia faz parte da ala do velho PP que por vezes discrepa das diretrizes colocadas em prática pelo piauiense. Ela é do Progressista gaúcho, que contrariou o desejo do senador de ver o partido apoiando Ciro Gomes.

Além disso, uma eventual eleição de Alckmin dá ao Progressista um outro interlocutor natural com o partido e com outros segmentos da política, como o Congresso. Vale lembrar o que fazia Marco Maciel, quando vice de Fernando Henrique: ele funcionava como uma ponte direta entre Presidência e Congresso.

Hoje esse papel é de Ciro, tanto na relação com o Progressista como com o Centrão e boa parte do Congresso. Como vice, Ana Amélia dividiria tal função. E isso não agrada ao senador piauiense.
 

PT e PSDB mostram força política

Os partidos estão desgastados, e três ganham um lugar de destaque nesse desgaste: PT, PSDB e MDB. Os três sofrem a rejeição popular em razão da série de escândalos descobertos no país nos últimos anos. O MDB tem um tempero a mais: assina um governo (o de Michel Temer) com extraordinária desaprovação popular. O MDB paga caro por isso e se vê sem aliados na corrida pela presidência da República. Já PT e PSDB mostram força política e chegam à reta final das convenções somando apoios, apesar do desgaste.

O PSDB já conseguiu reunir uma dezena de partidos em torno da candidatura de Geraldo Alckmin. Também conseguiu definir uma vice, a senadora Ana Amélia, do Progressista do Rio Grande do Sul. Alckmin deve encabeçar uma aliança que vai garantir a maior fatia do tempo para propaganda eleitoral no rádio e TV.

Já o PT, que ainda enfrenta o desafio de levar adiante a improvável candidatura de Lula, vai garantindo apoios informais e formais. Formalmente, deve ter o respaldo do PCdoB, talvez até com outra gaúcha – a aguerrida comunista Manuela D’Ávila – na condição de vice. Também já recebeu o sinal de apoio de uma boa fatia do PSB, em especial em Pernambuco, Minas, Paraíba e Bahia.

Vale sempre lembrar que esses dois partidos têm estruturas fortes em todos os estados. Também têm seguidores bem identificados com a sigla. O MDB tem estrutura, mas não tem unidade e nem uma forte identidade popular. Daí, a capacidade de transformar estrutura em voto é mais visível no PT e no PSDB.

PT e PSDB vão tentando repetir a divisão política que, desde 1994, coloca os dois partidos em disputa direta pela Presidência. Bolsonaro (PSL), Marina (Rede) e Ciro (PDT) vão tentar estragar essa festa repetida.