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Convenções têm hoje último dia da ‘preliminar eleitoral’


Convenção do PSB em Minas Gerais: pandaria entre aliados mostra que convenções não encerram discussão sobre alinhamento político
 

As dúvidas praticamente se acabam hoje, no último dia de convenção, que vai definir a formação definitiva dos “times” que concorrerão às eleições deste ano, no plano local e nacional. Para manter a linguagem futebolística, hoje é o último dia da preliminar. A partir de amanhã começa o jogo principal, com candidaturas definidas, alianças oficialmente montadas e discursos mais claramente desenhados a partir das convenções.

Essa fase de definição de candidaturas vai, antes de tudo, delineando os campos. Por exemplo: o PT dá um passo mais para a esquerda, ao não conseguir atrair grandes apoios e ver a chegada de siglas como o PCO. Já Marina Silva (REDE) se aferra a um segmento que tem grande força nos movimentos sociais, assim como Jair Bolsonaro (PSL) se agrara de uma vez por todas ao discurso da direita que aposta em um "governo forte". Geraldo Alckmin (PSDB) busca o caminho tradicional de formar alianças poderosas, enquanto Ciro Gomes (PDT) busca romper o isolamento e abrir espaço em cima da ideia de que é o mais preparado.

A definição desses campos tem dois efeitos.

Primeiro, dar uma ideia do que cada um pode propor como projeto de Nação, diante das orientações ideológica de cada sigla que compõe uma aliança. Esse é um efeito que pode-se dizer “em tese”, pois cabe sempre lembrar o quanto é difícil, no Brasil, saber o que um ajuntamento de partidos pode significar em termos programáticos. Basta lembrar das alianças do PT que juntava PCdoB com o antigo PL ou, mais recentemente, com o PP. As ideias escritas de um tinham muito pouco a ver com as do outro – às vezes eram mesmo antagônicas.

Daí, a definição das candidaturas vale mesmo pelo segundo efeito: saber com quem cada candidato realmente conta, pelo menos de maneira oficial. Esse “de maneira oficial” também mostra outra dificuldade da realidade brasileira: o que se acorda não necessariamente é cumprido – ou até se poderia dizer que em grande parte não é cumprido.  

Sim, as convenções encerram hoje a preliminar, dando passo ao jogo principal. Ok. Mas, na política brasileira, não é comum um jogador de um time jogar para o adversário.

Cada um olha para seu umbigo. E se for preciso fazer um gol contra o próprio time, assim será.
 

Nem todas as dúvidas acabam

As alianças formalizadas hoje não encerram algumas dúvidas importantes. No cenário nacional temos situações como a do PSB, que em parte se aproxima do PT – como em Pernambuco – mas gerando reações entre os próprios petistas. Ou como em Minas, onde o PSB terminou sua convenção com uma completa pancadaria entre correligionários, pelo mesmo motivo da relação não assentada com o PT.

Temos ainda partidos como o Progressista, que oferece a vice de Geraldo Alckmin (PSDB), mas que no Piauí sobe no palanque do PT e festeja as principais lideranças petistas. Ou o MDB, que se debulha em alianças pelos estados, indiferente ao fato da sigla ter um candidato próprio.

Há ainda forças relevantes que ainda não deixaram claro o rumo que vão tomar. Não são partidos, mas influenciam muita gente. São segmentos empresariais como a indústria ou organizações religiosas como a Igreja Católica. Há nelas uma expectativa ou talvez uma perplexidade diante de um cenário com tantas opções, mas nenhuma oferecendo um porto seguro.

Ao que parece, só o ritmo da campanha e a resposta popular dos candidatos vai dizer para onde essas forças – dentro e fora dos partidos – efetivamente vão.