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PT tenta nova ‘grande transição’, agora para a esquerda


Rui Pimenta, do PCO: expulso do PT em 1995 e crítico dos petistas em quatro eleições, ele agora entra no bloco de aliança do PT

 

Os que estudam a trajetória do PT, encontram no Congresso interno de 1995 um momento de inflexão na história do partido. Ali o PT deu o primeiro e decisivo passo para uma grande transição que o levaria ao pragmatismo político em busca do sucesso eleitoral. Não queria mais repetir as derrotas de 1989 e de 1994, quando a sigla ficou na segunda posição da corrida presidencial. O Poder era o objetivo desse grande passo.

Agora, também pensando no Poder – talvez um poder sem as amarras heterodoxas –, o partido tenta fazer uma nova travessia. Mas em sentido inverso. Não se percebe bem se esse retorno significa também uma revisão das próprias práticas ou se é mais uma estratégia pragmática que se ajusta a um cenário eleitoral em que o eleitor cobra algo diferente.

O pragmatismo desenhado no Congresso de 1995, sob a matuta estratégica e operacional de José Dirceu, levou a concessões de todo tipo, começando pela linguagem, as atitudes e os discursos. O primeiro passo concreto, após a expulsão das correntes de esquerda, foi buscar “marqueteiro profissional”, um daqueles que o mercado paga a peso de ouro e que tem como lema o triste bordão “feio é perder”. Daí, entregou suas estratégias do mercado eleitoral a Duda Mendonça, que se notabilizara como marqueteiro de Paulo Maluf, um ícone da política antiga e de práticas terríveis.

Isso já dizia muito.

Esse “novo PT” desenhado pelas estratégias de José Dirceu & Cia. levou o partido aos braços de gente como José Sarney, Renan Calheiros e Jáder Barbalho, bem como do próprio Paulo Maluf e Fernando Collor. Eram nomes que o partido demonizara ao longo de décadas, mas que se faziam úteis dentro do conceito de que “feio é perder”.

Aliou-se com festas ao PP, partido oriundo da Arena e do PDS. Nada a ver com o PT de antes de 1995. O resultado, porém, apareceu: o PT ganhou eleições e acumulou poder. Verdade seja dita, perdeu diretrizes; abandonou conceitos e somou desgastes. E terminou perdendo o próprio poder.

Agora parece tentar uma nova transição, uma nova travessia, desta vez de volta às esquerdas. Quem sabe, para retomar as diretrizes de antes, na “refundação do PT”, como dizem alguns, internamente. Mas há quem desconfie e veja só um novo discurso que estaria bem condizente com o pragmatismo pós-1995.
 

O PCO de Lurdes Melo agora é aliado

O novo jeitão que o PT encena para as eleições deste ano fica evidente nas alianças que tentou ou consagrou. Em 2018, o único partido que se situa no campo ideológico do Centro ou Centro-direita é o PROS. No mais, as tentativas de aliança foram à esquerda: PCdoB, PSB, PCO e PSOL – este, Lula tentou atrair para o seu lado, mas o partido permaneceu com candidatura própria.

É especialmente revelador o apoio do PCO – aqui no Piauí conhecido como a sigla de Lurdes Melo. O PCO é um partido de esquerda, bem esquerda mesmo, exatamente o perfil que o PT expulsou de seus quadros após 1995. Até o famoso Congresso, o PCO era uma corrente dentro do PT. Foi convidado a sair e aí surgiu o Partido da Causa Operária.

Desde então, Rui Pimenta foi apresentado como candidato por quatro vezes, distribuindo críticas a meio mundo, inclusive aos governos do PT. Pois esse tipo de sigla é de novo bem recebida no partido, que tenta marca um novo momento em sua história.

Se é mais uma faceta do pragmatismo, só o tempo dirá.