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Disputa presidencial traz chapas com maior coesão ideológica

A disputa presidencial deste ano traz um movimento que é contrário ao verificado nas quatro últimas eleições: as alianças em torno das candidaturas estão mais coesas em termos ideológicos. A constatação deve ser atribuída a uma tendência de agrupação entre aliados realmente mais próximos em termos ideológicos e , também, à alta fragmentação que dificultou alianças.

Das 13 candidaturas postas, cinco saíram sem aliados: são aquelas de uma única sigla, em geral candidaturas relacionadas a um partido com visão programática mais detida e, em certo, sentida, mais estrita. É o caso da Democracia Cristã, com uma visão norteada por valores religiosos. Ou o PTSU, com uma pregação bem à esquerda. Ou ainda o Novo, que está do outro lado do espectro ideológico na defesa de um estado mínimo e da eficácia na gestão.

Mas o que chama mesmo a atenção é que dez das 13 candidaturas são de chapas “puro sangue”, com candidato a presidente e a vice de uma mesma sigla. Isso se dá mesmo no caso de candidatos com aliança, como o MDB de Henrique Meireles: aliado ao PHS, Meireles tem como vice outro emedebista, o gaucho Germano Rigotto.

Cabe uma ressalva para o caso do PT, com chapa pura mas que deve ser alterada nas próximas semanas: há um acordo com o PCdoB para que Manuela D’Ávila assuma a vice no momento em que houver definição sobre a candidatura de Lula. Manuela irá para a vice seja com a confirmação da candidatura Lula, seja ainda com o deslocamento de Fernando Haddad para a cabeça de chapa.

O caso do PT também é ilustrativo da mudança das alianças. A política de ampla composição, colocada em prática a partir de 2002, não se repetiu. Ao contrário, o PT se deslocou para a esquerda, caminho inverso das últimas quatro campanhas.
 

PT e PSDB se fecham em seus campos

Em 2002, o PT se juntou a um partido de direita, o PL de José Alencar. E recebeu o apoio de velhos caciques, como José Sarney e Renan Calheiros. Nas três campanhas seguintes, o partido foi ampliando o leque de aliados: ao mesmo tempo que tinha o PCdoB, atraia grupos como o PMDB e o PP.

Agora, em meio um posicionamento do “nós contra eles”, o PT se estreitou na esquerda. Já o auto-nominado esquerdista Ciro Gomes  (PDT) tentou o guarda chuva do “Centrão”. Não conseguiu. O grupo se refugiou na candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), escolha coerente com um grupo que soma partidos de centro e de direita.

Dessa forma, PT e PSDB se fecham em seus campos, assim como Marina Silva (REDE) se respalda nos políticos vinculados aos movimentos sociais. Já Jair Bolsonaro, estreito no discurso, fica também estreito nas alianças, com o apoio único do PRTB.
 

 Candidatos e alianças partidárias