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Recorde de assassinatos expõe fracasso da política de segurança


Polícia do Exército no Rio de Janeiro: ação de socorro à crise de segurança no Rio, mas que não deu certo

 

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública trouxe à tona a gravíssima realidade da segurança no Brasil. Tivemos em 2017 um recorde de mortes violentas no país. Foram 63.880 assassinatos, 2.283 a mais que os já gritantes 61.597 registrados em 2016. A leitura do número parece óbvia: a política de segurança pública no país é um tremendo fracasso.

Olhando o levantamento referente ao ano passado, o mínimo que se pode dizer é: a política de segurança não está funcionando. Essa política é norteada basicamente por ações repressivas, voltadas para o aprisionamento. E também aí há dificuldades: as polícias são mal aparelhadas, os policiais não têm o treinamento adequado e os sistemas judicial e prisional deixam muito a desejar.

Sobre o sistema judicial, podemos dizer uma de duas coisas: ou as leis são falhas ou a aplicação delas não tem o efeito que deveria. Basta notar o tanto de criminosos presos que apresentam como histórico um rosário de passagens por delegacias e presídios. Esse entre e sai expõe as falhas do sistema. Também é grave a avaliação que se faz sobre o sistema prisional, onde os presídios funcionam como escritório do crime organizado e sala de aula que leva à sofisticação da criminalidade.

A atuação policial também falha, e muito. Basta ver a incapacidade de diálogo entre as polícias. É igualmente reveladora dessa ineficiência a presença comum da droga na vida de nossas cidades. Isso quer dizer, no mínimo, que a ação policial não consegue estancar a ação quase livre do tráfico.

O resultado está nos dados do Fórum: quase 64 mil mortes violentas em apenas um ano, número que supera até mesmo países em guerra civil, como a Síria. Pior é que não aparece nada consistente como perspectiva de solução. Mesmo a criação do SUSP não anima os especialistas, já que foca basicamente na ação policial. Também a intervenção federal no Rio de mostrou-se insatisfatória.

O resumo da história também parece óbvio: é preciso buscar outro tipo de caminho, incluindo aspectos como o educacional e o econômico. Mas a discussão que a campanha eleitoral está possibilitando não considera, pelo menos de forma consiste, a busca de novas alternativas.