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Eleitor faz pouco caso da eleição de deputado


Assembleia Legidslativa: pesquisa revela que a grande maioria do eleitor ainda não tem candidato para o legislativo estadual

 

A menos de dois meses para as eleições, cerca de 85% dos eleitores piauienses não conseguem dizer em quem pretendem votar para deputado federal e deputado estadual no dia 7 de outubro. O dado é da última pesquisa Cidade Verde/Opinar (registro no TER número PI-08668/2018), e revela três coisas ao mesmo tempo: o pouco caso do eleitor com a política, a pouca atenção que dá à eleição de deputado e a relevância que têm lideranças na definição especificamente desse voto.

Os índices de não votantes – soma de indecisos com percentual dos que se dispõem a anular ou votar em branco – estão altos em todas as disputas, majoritárias e proporcionais. Mas 85% de eleitores sem qualquer opção é preocupante para os que buscam um mandato na Assembleia ou na Câmara. Revela a pouca compreensão do papel do parlamentar, que a maior parte da cidadania enxerga como um faz-nada. E revela tabém que essa compreensão leva o votante a virar as costas para esses políticos.

Daí, simplesmente o eleitor dá pouca atenção à disputa pelas vagas nas duas casas legislativas. Não por acaso o Congresso é recordista de desaprovação entre os cidadãos. É um cálculo errado: muitos estudiosos acreditam que o governo federal é o que o Congresso permite que ele seja. Se é assim, o eleitor desdenha de algo que tem muita, muita importância.

Para completar, há muita gente que ainda não sabe em quem votar por uma outra razão: vai esperar a escolha a ser anunciada pelo líder da tropa. Explico: o voto de deputado, federal ou estadual, tem muita relação com a liderança. É quando o eleitor mostrar que faz parte da patota. Para os sociológicos, esse comportamento está relacionado à ideia de pertencimento, de fazer parte do grupo e partilhar de valores comuns. Para o senso popular, é o voto de cabresto.

Seja qual for o nome, muitos ainda esperam a orientação da liderança de referência, que pode ser o prefeito, o vereador, o padre, o pastor ou simplesmente o chefe no ambiente de trabalho. Enquanto a orientação não chega, permanece a indecisão.
 

Índices indicariam baixa votação

Os números da pesquisa Cidade Verde/Opinar, nesse momento, indicam que a situação dos candidatos ainda está longe de ser confortável. Um exemplo é a intenção de voto para deputado federal. O candidato mais citado na pesquisa foi Fábio Abreu, com 1,85% das intenções. Tomando-se o número de votantes registrados para as eleições de outubro, esse percentual significaria algo em torno de 62 mil votos. Não é voto para eleger nenhum federal.

Cabe destacar que uma pesquisa para deputado costuma não ser tão precisa. Há muita dispersão de candidatos, com alta fragmentação de voto, o que diminui a precisão. Ela costuma ser menos precisa ainda no caso de candidatos com votação dispersa por muitos municípios.

Mas isso não elimina uma indicação clara: o eleitor ainda não se deteve sobre as opções eleitorais deste ano.