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Alckmin e Bolsonaro rompem ‘dilema de Tostines’


Jair Bolsonaro: ao contrário do comportamento histórico, liderança na intenção de votos não garantiu apoios políticos ao candidato do PSL

 

A propaganda comercial tem gerado regras, ou pelo menos batizado fenômenos relacionados ao comportamento do cidadão. O caso mais conhecido é a “Lei de Gerson”, que surgiu há quatro décadas: em um anúncio do cigarro Vila Rica, o jogador Gerson usava a frase “gosto de levar vantagem em tudo”. Foi o suficiente para os estudiosos traduzirem essa “regra” como uma tradução do comportamento do brasileiro. E aí surgiu a "Lei de Gerson".

Há também o “dilema de Tostines”. Surgido igualmente há umas quatro décadas, a propaganda do biscoito perguntava: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?” Esse dilema está sendo lembrado agora a propósito da campanha eleitoral e do início da propaganda no rádio e na TV, marcado para o dia 31.

Os estudiosos das campanhas apontavam uma tendência histórica: quem apresentava “voto inicial” em um patamar razoável costumava fazer alianças políticas mais robustas e, assim, garantir mais espaço no rádio e TV. Traduzindo: quem entrava na fase de convenções em boa posição nas pesquisas costumava atrair apoios substantivos. A campanha desde ano rompe essa regra duplamente.

Uma primeira ruptura vem com Jair Bolsonaro, o candidato do PSL. Desde o ano passado, ele vem se firmando como a opção preferida do eleitor, nos cenários sem Lula. Apesar disso, Bolsonaro não conseguiu apoios que garantissem mais tempo na propaganda de rádio e TV. Vai contar com míseros segundos para se comunicar com o eleitor através desses dois canais tradicionais.

Outro que rompe com o dilema é Geraldo Alckmin. O candidato do PSDB chegou à fase das convenções em quarto ou quinto lugar das pesquisas, dependendo da ausência ou presença de Lula nas simulações. Apesar de patinar nas sondagens desde o ano passado, Alckmin conseguiu formar a mais ampla aliança para as eleições deste ano. Quando dia 31 chegar, terá um enorme tempo para a propaganda.

O tempo no rádio e TV vai começar este ano sob uma importante questão: até que ponto esse tipo de comunicação ainda mantém a capacidade de influir o eleitor?
 

As dúvidas sobre as redes sociais

Há uma outra grande pergunta norteando as eleições deste ano: até que ponto as redes sociais serão relevantes na decisão do voto? A resposta só será possível após 7 de outubro, e mediante uma série de medições.

O fenômeno Bolsonaro leva muitos a advogarem que as redes são “a campanha”. Independente da dúvida, vale observar o que tem acontecido nesse mundinho. Estudos feitos na Universidade do Espírito Santos mostram que há dois movimentos mais destacados nas redes. Primeiro, o a favor de Lula. Segundo, o a favor de Bolsonaro. Essa constatação traz de volta o “dilema de Tostines”: eles lideram nas redes porque têm mais intenções de voto ou têm mais intenção de voto porque lideram nas redes?

Vale lembrar, os dois também lideram nas redes os movimentos de rejeição. Lula com um pouco menos de rejeição que engajamento; Bolsonaro com mais rejeição que engajamento.