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Mais de 95% dos deputados federais disputam eleição

A decisão do deputado Rodrigo Martins (PSB), anunciada no final de semana, de não disputar a reeleição à Câmara dos Deputados, não é a regra entre os atuais ocupantes daquela casa legislativa. Muito pelo contrário. Nada menos que 95,77% dos atuais deputados federais vão disputar algum cargo nas eleições de outubro. A grande maioria vai às urnas com a intenção de permanecer onde está.

O levantamento é da própria Câmara, que apontava até sexta-feira um total de 407 candidatos à reeleição. Com a desistência de Rodrigo, agora são 406, o que corresponde a 79,14% dos 513 deputados que compõem a Casa. Mas não são apenas esses os que entram nas disputas eleitorais de outubro. Na verdade, somente 32 deputados – entre eles Rodrigo – não vão buscar algum cargo este ano, número que representa 6,23% do total.

Entre os que disputam eleições, há dois que concorrem à Presidência: Jair Bolsonaro (PSL) e Cabo Daciolo (Avante). Depois do blocão que tenta a reeleição, a maior fatia é formada pelos que tentam uma vaga no Senado. São 40 deputados (ou 7,79%) que tentam permanecer no Congresso, apenas mudando do Salão Verde para o Salão Azul.

Outros 11 deputados (ou 2,14%) disputarão as eleições de outubro como candidatos ao cargo de vice-governador, enquanto 8 (ou 1,55%) disputam a titularidade dos governos estaduais. Há ainda outros 8 que concorrem aos parlamentos estaduais. Por fim, outros 6 deputados (índice de 1,69%) disputam a condição de primeiro suplente de senador.


Alta renovação, mesmo com desgaste

A previsão dos analistas é que a renovação do Congresso, este ano, deve se manter muito próxima da média história - algo em torno de 40%. Isso apesar do alto desgaste dos políticos em geral e do Legislativo em particular. Segundo dados de pesquisa DataFolha divulgado em junho, 68% dos entrevistados declararam não ter confiança nos partidos políticos e 67% afirmaram não confiar no Congresso Nacional. Um recorde.

O que facilita a recondução dos que já estão por lá é que a opinião pública tem efeito limitado sobre a eleição de deputados. A maioria consegue a eleição, de verdade, através da relação com lideranças locais. Além disso, a legislação eleitoral deste ano favorece muito os que já estavam em cargos, tanto pelo menor tempo de campanha como pelo financiamento público que passa ao controle direto dos caciques partidários.

Se o cálculo estiver certo, a maior parte dos 406 deputados que vão às urnas estará de volta às suas cadeiras em fevereiro.