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DataFolha mostra o doce e o amargo na estratégia do PT


Lula: resposta popular pessoal que não chega a Fernando Haddad, o virtual candidato do PT à presidência da República

 

Ainda é cedo para se chegar a uma conclusão, mas dentro da cúpula nacional do PT há motivos de comemoração e de sérias dúvidas quanto à estratégia do partido para as eleições deste ano. A pesquisa DataFolha divulgada ontem coloca Lula com 39% das intenções de voto. E o partido comemora o resultado como fruto do esforço de visibilidade e do discurso de vitimização de Lula, em razão do processo que o levou à cadeia. Mas as dúvidas chegam na baixa resposta de Fernando Haddad, que deve ser mesmo o candidato do partido ao Planalto.

A parte doce está no fato de Lula se manter no alto das pesquisa e até com algum registro de crescimento. Também está no alto dos índices de rejeição, mas isso é o de menos, já que o partido sabe que as chances de Lula ser candidato são praticamente nulas. Importa manter o mito e tentar criar um patamar elevado para o real candidato do partido, o ex-prefeito de São Paulo. A ideia sempre foi a de reforçar o mito e aposta na transferência de voto.

Para chegar na atual situação, desde sempre o PT apostou na vitimização. Essa linha estratégica foi reforçada a partir janeiro, quando o ex-presidente Lula foi condenado. Antes disso, o partido – e particularmente Lula – já apostava em posicionamento que puxava a sigla para uma posição mais radical. Foi aí que apareceu de forma mais explícita o “nós contra eles”, traduzido na polarização tipo “ricos x pobres” ou “norte x sul”.

Se ocorrer do partido chegar ao segundo turno contra Bolsonaro, é possível que a estratégia tenha grandes perspectivas. Se for contra Alckmin, Marina ou Ciro, o deslocamento do petismo para os extremos deve ter resultados menos expressivos. Além disso, vale questionar se esse posicionamento vale para Fernando Haddad, quase tão “eloquente” quando Alckmin.

É aí que vem a parte amarga. Haddad é citado como potencial candidato do partido desde janeiro. Ganhou luzes mais definidoras desde abril, quando Lula foi preso. Anda no país inteiro sendo apontado como o substituto de Lula. Mas não deslancha nas pesquisas. A transferência desejada, pelo menos por enquanto, não ocorre. Haddad segue muito distante dos primeiros colocados, sem absorver o potencial de voto nem do PT e muito menos do ex-presidente Lula. Tem apenas 4% das intenções, segundo o DataFolha (pesquisa registrada sob número BR 04023/2018).

O partido agora deposita todas as esperanças no horário eleitoral que começa dia 31. O tempo que terá é generoso e, nele, Lula terá um espaço privilegiado. Falará como candidato, repetirá o discurso de vítima, relembrará as ações de seu governo e – quando e se for impugnado – tentará apresentar Haddad como o Lula na urna.

Se o PT vai fazer desse limão uma limonada, as urnas dirão.