Cidadeverde.com

Fugir do debate pode não ser bom negócio para Bolsonaro


Jair Bolsonado, candidato do PSL: decisão de fugir dos debates na TV para evitar as críticas dos candidatos adversários 

 

O comando da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República anunciou que o deputado não deverá mais participar dos debates televisivo programados para as próximas semanas. É uma decisão significativa para o andamento da campanha, mas que não é nova na política brasileira: Collor, FHC, Lula e Dilma também fugiram de debate e tiveram êxito. Mas a situação de Bolsonaro é um tanto diferente e a fuga pode não ser um bom negócio.

Há dois casos mais destacados de fuga completa de debate: Fernando Collor em 1989 e Lula, em 2006. Ambos lideravam a corrida e se deram ao luxo de, no primeiro turno, fugir do embate (e das críticas) com os adversários. No primeiro caso, sem efeito para o resultado do primeiro turno. No segundo, sim, com impacto direto sobre a primeira ronda da eleição.

No Caso de Collor, havia uma distância abissal para o segundo colocado e a perda de votos resultante da ausência nos debate não tirou dele a liderança da votação no primeiro turno. Já Lula tinha chances de vencer no primeiro turno, sim. Mas fugiu dos debates de 2004. Pesquisas mostram que o eleitor esperou explicações dele sobre o Mensalão. Lula não deu, perdeu votos e teve que ir para o segundo turno. Aí sim, como Collor, participou dos debates. E ambos venceram.

Fernando Henrique, em 1994, ausentou-se de dois dos três debates presidenciais. Mas, voando nas asas do Real, venceu Lula no primeiro turno. Dilma também se ausentaria em parte dos debates de 2010 e 2014 – e teve que ir para o segundo turno, quando venceu.

Mas há duas importantes diferença desses candidatos para Bolsonaro. Primeiro, a vantagem do candidato do PSL para seus concorrentes não é tão grande. Se a ausência produzir um impacto importante na votação, pode complicar a vida dele, já que a "gordura" de votos é pouca.

O segundo ponto é o tempo de propaganda no rádio e TV. Ainda que Bolsonaro (obrigatoriamente) aposte quase todas suas fichas nas redes sociais, ele terá uma enorme desvantagem ao ver seus adversários falando por minutos e mais minutos, enquanto disporá de exíguos segundos. A compensação seria precisamente o espaço dos debates. Mas ele está abrindo mão desse recurso.

O cálculo que a direção da campanha de Bolsonaro faz é a seguinte: o que pode produzir mais prejuízos para o candidato, a perda do tempo dos debates ou o desgaste pelas pancadas que sofrerá no embate com os concorrentes?