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A eleição dos processados

 

Para muitos, essa seria a eleição da Lava Jato, entendendo-se a expressão como promessa de reação popular contra os políticos sem ficha imaculada. Mas o andamento da campanha parece indicar que a ficha criminal pode não ser tão determinante. Basta olhar os dois nomes mais citados em todas as pesquisas desde o final do ano passado, Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). Lula tem mais que processo: tem condenação. E Bolsonaro é réu em dois casos, e pode acontecer de na próxima semana ter um terceiro processo nessa situação.

Há processo de todo jeito. De caixa dois (caso de Alckmin, do PSDB) a injúria e difamação, caso de Ciro Gomes (PDT). Há até crime de trânsito na lista dos presidenciáveis – caso de Guilherme Boulos (PSOL), que foi acionado para cobrir os danos em uma batida sem maiores consequência. Olhando a ficha corrida de alguns dos concorrentes, o processo contra Boulos é até anedótico.

Vale conferir.

• LULA(PT) – Mais que processado, o petista tem condenação em 1ª e 2ª instâncias. Foi condenado a 12 anos e um mês de detenção no caso do Triplex do Guarujá, que resultou na prisão que cumpre em Curitiba. Responde a outros processos, como o relacionado ao sítio de Atibaia. E seu vice, Fernando Haddad (que deverá substituí-lo), é investigado por receber da empreiteira UTC via caixa 2.
• JAIR BOLSONARO (PSL) – Já é réu em dois processos, um deles acusado de incitar o crime de estupro. Na terça-feira a 1ª turma do Supremo decide se ele se transforma em réu pela terceira vez, agora acusado de racismo – o que já gerou condenação na área civil.
• MARINA SILVA (REDE) – A candidata do Rede não tem condenações, mas responde a dois processos na Justiça do Trabalho, além de ter sido citada  nas delações da Lava Jato.
• CIRO GOMES (PDT) – É quem mais responde a processos. São mais de 70 processos de indenização ou ofensa contra a honra movido por adversários alcançados pela afiada língua do candidato. Um dos que que o processam é Bolsonaro.
• GERALDO ALCKMIN (PSDB) – Responde a um processo, acusado de receber doações (no total de R$ 10 milhões) da Odebrecht através de caixa 2, nas campanhas de 2010 e 2014. O caso saiu do STJ e está na Justiça Eleitoral.
• ÁLVARO DIAS (Podemos) – Figura em antiga ação de execução do INSS. Também foi citado em delação na Lava Jato. Investigadores não encontraram evidências. Ele, então, moveu processo contra o delator.
• GUILHERME BOULOS (PSOL) – Responde a processos pela condição de líder do MTST. Além disso, é processado por danos causados em uma batida de trânsito.
• CABO DACIOLO (Patriotas) – Responde por apropriação indébita (acusado de ficar com parte dos salários de assessores) e por crime contra a Segurança Nacional.