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PT reduz alianças nos estados


Fernando Pimentel, de Minas Gerais: mesmo no governo, petista tem apoio apenas do PCdoB e do PHS

 

Desde 1995, o PT mudou de rumo e, ao invés de se espremer em alianças mais para o extremo da esquerda, passou a ampliar suas relações políticas. Foi o primeiro passo decisivo do partido grande passo da travessia moderadora que o levaria ao poder em 2002. Agora o PT faz o caminho inverso e constrói em 2018 as alianças mais estreitas dos últimos 20 anos. Nas disputas pelos governos dos estados, tem 16 candidaturas, cinco delas isoladas e outras cinco tendo apenas o PCdoB como coligado.

Esse levantamento é do jornal Folha de S. Paulo. O dado é lido como um componente dificultador na estratégia do PT de iniciar a transferência de voto de Lula para Fernando Haddad, o ex-prefeito de São Paulo que deverá substituir o ex-presidente após a provável impugnação de candidatura. Revela também a guinada do partido em termos de relações políticas e de discurso.

Desde a fase do impeachment de Dilma, o PT endureceu o discurso e confrontou-se com antigos aliados, como o MDB e o PP. O própria Lula adotou a retórica do “nós contra eles” e do “ricos contra pobres”. Tudo isso dificultou alianças, ainda que as coligações nos estados não atendam exatamente a uma lógica ideológica. Mas o aliado mais frequente é o de sempre, o PCdoB, partido que se juntou ao PT em todas as eleições presidenciais.

A dificuldade de aliança alcança até mesmos candidatos petistas que disputam governos estaduais como favoritos. Um exemplo é Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, que lidera as pesquisas mas tem apenas o PCdoB no palanque. Fernando Pimentel, em Minas, não fez valer nem mesmo a força de governo em um estado conhecido pelo governismo e terá no palanque apenas PCdoB e PHS.

Este ano, em média, o PT terá 3,7 partidos aliados por candidato que apresentou aos governos. É o menor número desde 1998. Em 2016, a média era de 6 partidos por candidato, número que já era menor que 2010, no auge do petismo, quando essa media chegou a 8 partidos por candidatos.
 

PT do Piauí vai na contramão

A média de 3,7 partidos por candidato está longe de ser a realidade do Piauí. Aqui o PT corre na contramão, com a candidatura de Wellington Dias somando mais que o dobro da média nacional. Nada menos que 8 partidos se somaram ao palanque petista, entre eles os neo-adversários nacionais MDB e PP.

E olha que poderia ter sido mais. Dois partidos – o PTC e o PRB – deixaram o palanque governista após o anúncio da chapa majoritária que o PT formou com dois petistas na cabeça. O que aqui tornou a chapa de Wellington um pouco menor foi o olhar para dentro do próprio partido.

Esse olhar para dentro é um entre vários fatores que levaram o partido a perder aliados nos estados.