Cidadeverde.com

Violência: o alerta que vem do Ceará e Rio Grande do Norte


Praia de Ponta Negra, em Natal: um cartão postal transformado em local de protesto pela violência que toma conta da cidade

 

O Rio de Janeiro continua um caos na segurança pública e em quase tudo mais. Alguns estados do Nordeste, no entanto, vão ganhando destaque nos últimos meses pela repetição de chacinas e um índice de homicídios que escandaliza. Particularmente dois estados nordestinos vão rivalizando com o Rio na violência, resultado direto da presença cada vez maior e dominante de organizações criminosas.

É certo que o Rio continua uma situação particular quando olhamos o domínio que os criminosos têm do território da cidade. Há estudos que apontam uma área correspondente a 40% do Grande Rio estão sob a coronha dos barões do tráfico: nessas áreas, o Estado não apita, e às vezes simplesmente não entra. Em Fortaleza e Natal a situação não chegou a tanto, mas está a meio caminho.

Não por acaso Rio Grande do Norte e Ceará estão entre os estados mais violentos do país. Segundo dados do Monitor da Violência, os dois estados ficaram em segundo e terceiro lugar no número de homicídios registrados neste primeiro semestre. Só ficaram atrás de Roraima, onde o descalabro da violência se juntou à crise humanitária desembestada com a leva de venezuelanos.

Conforme o Monitor da Violências, nos primeiros seis meses de 2018, Roraima registrou 27,7 homicídios para cada grupo de 100 mil habitante – o indicador considerado internacionalmente. No Rio Grande do Norte o índice é muito semelhante (27,1) e o Ceará fica ali pertinho (26,0). Se prevalecer o ritmo de homicídios do primeiro semestre, esses três estados vão fechar o ano com mais de 50 homicídios para cada grupo de 100 mil pessoas.

Uma horror. E o mais grave: esse horror está muito presente Brasil afora e cada vez mais pertinho de nós. Como o crime organizado não estabelece fronteiras, os números do Ceará e Rio Grande do Norte devem servir de alerta para os piauienses.
 

Os ingredientes do desastre

Ao analisar os dados do primeiro semestre, o Monitor da Violência ressalta a importância de se ter os números dessa tragédia como diagnóstico da situação. Daí, busca explicações para entender as razões de tamanho descalabro. E a análise mostra a presença das organizações criminosas, o domínio delas dentro dos presídios e a relação que têm com as drogas.

O diagnóstico está aí. Falta agora o caminho para ações. E o primeiro passo é um trabalho de integração policial, bem como a revisão das políticas voltadas para a segurança pública. Atualmente, essa política é pautada basicamente pela vertente repressiva. E uma vertente capenga, já que falta muito para que as forças policiais possam ter uma ação minimamente efetiva, desde o contingente até as condições de trabalho.

Em resumo: a política é falha, e a execução de tal política se mostra mais falha ainda.