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Começa a propaganda eleitoral, a arte de repetir fórmulas

Começa amanhã a fase de propaganda eleitoral no rádio e TV. Serão 35 dias de programas e inserções em um processo que costuma oferecer mais visibilidades aos menos conhecidos e garantir votos aos que têm mais tempo de exibição. A campanha deste ano traz grande dúvida sobre a eficiência desse modelo que impacta nos resultados desde 1974. Há um cansaço do eleitor e há também outros canais, como as redes sociais. Mas uma coisa não deve mudar: as fórmulas adotadas nos programas.

Os estudiosos do tema dizem que nada mais igual a uma campanha que outra campanha, independente do cargo, candidato ou partido. Os temas são os mesmos, definidos pelas pesquisas de opinião. Para conferir, anote aí: os três temas mais reclamados pelos piauienses são, pela ordem, saúde, educação e segurança. Depois vem emprego. Se assim é, esses temas estarão nos primeiros programas.

A fórmula de apresentação também é semelhante: imagens tocantes, com um forte tempero emocional que leva a uma presença enorme de abraços em qualquer um e beijos demorados em crianças e idosos. A estrutura dos discursos é padrão: quem está na oposição diz que a situação é ruim mas vai ficar boa (com a mudança de governo, claro); e quem está no poder diz que tudo está bom e vai ficar ainda melhor (se, por suposto, é mantido o governo).

Esses recursos se repetem em outros de tipos de propaganda. Por exemplo, a propaganda comercial dos mais diversos tipos de produtos. Vira e mexe, tem uma criança. Ou um cachorro. Ou um gato. Por que? Ora, porque as pesquisas dizem que o consumidor presta mais atenção a um vídeo quando aparece esse tipo de imagem.

Se funciona com os sabonetes, presuntos e fogões, também funciona com os produtos políticos. E, convenhamos, com importantes resultados junto a uma audiência que, conforme atestam as pesquisas acadêmicas, cria afinidade com um candidato e nem bate a passarinha em relação a outro.
 

Vídeo ironiza o horário eleitoral

Além de resultados junto ao eleitor, as fórmulas repetidas também produzem críticas entre os mais preocupados com a democracia: elas não gerariam um debate sequer superficial sobre as questões fundamentais de uma cidade, estado ou país. Também geram memes, assim como produções bem humoradas. Uma bem conhecida foi produzida em 2012 e pode ser vista no canal de Reinaldo Cirilo. Ela mostra as etapas do que seria um programa eleitoral de um candidato, com todos os truques para envolver o eleitor.

Tem o jeito de falar, tem a hora do jingle e também o jeito bem medido de colocar “populares” na propaganda do candidato. Tem até o apoio de um político ilustre que nunca viu o candidato mais magro ou mais gordo. E tudo finalizado com uma frase de efeito “profunda” e “inteligente” que não diz absolutamente nada.

É uma delícia de vídeo. Dá para rir. E também dá para pensar sobre o que nós, os eleitores, vamos encontrar nas TVs a partir de amanhã.

Confira o vídeo abaixo.