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Estudo questiona uso do BRT na Frei Serafim


Frei Serafim: estudo mostra que BRT na avenida pode alterar significativamente um dos espaços mais identificadores de Teresina 

 

A arquiteta piauiense Patrícia Pacheco Alves de Oliveira, professora do ICF, defende hoje sua dissertação de mestrado com um tema que promete dar o que falar. Ele está concluindo o mestrado em Ciências da Cidade, na Universidade de Fortaleza (Unifor), sob orientação do também piauiense Antonio Rocha Jr, professor e arquiteto há muito radicado no Ceará. A dissertação é um estudo sobre a pretensão da Prefeitura de Teresina de implantar o BRT na avenida Frei Serafim, impactando sobre um dos pontos de maior identificação da cidade.

O estudo de Patrícia vai na contramão do projeto de Prefeitura. O desenho do projeto oficial aponta para intervenções profundas na Frei Serafim, daí produzindo modificações significativas em um dos poucos pontos da cidade com razoável equilíbrio entre a questão ambiental e o uso do espaço por veículos e pedestres. Além disso, a Frei Serafim tem uma enorme carga simbólica e identitária para a cidade, o que também seria fortemente afetado.

O trabalho desenvolvido por Patrícia usa como suporte o próprio Plano Diretor de Transporte e Mobilidade, bem como o Plano Diretor Cicloviário de Teresina. Ou seja: primeiro ela bebe nas fontes oficiais para, em seguida, identificar os impactos na identidade espacial e ambiental da avenida Frei Serafim decorrentes da implantação de BTRs no seu leito.

A dissertação aponta para um impacto muito, muito forte. Há conseqüências sobre o desenho e a funcionalidade da nossa Frei, que consegue ter passeio amplo,reto, espaço de vivência e muita árvore. Tem também um enorme valor para a própria identidade da cidade. Mas Patrícia não apenas faz críticas ao desenho já traçado pela prefeitura, com as profundas modificações na Frei Serafim. Ela também apresenta alternativas. Por exemplo, que seja implantado o VLT em todo o estirão que vai da São Benedito até o Balão do São Cristovão.

Isso daria um novo patamar à questão do transporte e preservaria esse corredor tão tradutor de Teresina. 
 

‘Cidade planejada’ cheia de remendos

Teresina é sempre destacada como a primeira cidade planejada do país. Mas, da metade do século XIX para cá, mudou muito. E as intervenções em torno do sistema integrado de transporte vão expondo uma outra realidade: a do improviso, ou dos ajustes, como se a cidade fosse fazendo um puxadinho aqui e outro ali. Em defesa de nossa capital, vale lembrar que esses puxadinhos estão espalhados pelas cidades brasdileiras.

Um bom referencial desses remendos é o que se vê com as estações de passageiros. Na Av. Presidente Kennedy elas se revelam como arranjos que se intrometem na paisagem, lembrando dos remendos tão comuns em áreas degradadas em grandes centros urbanos. Nada a ver com o charmoso título de “primeira cidade planejada do país”.