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Eleição volta a alimentar especulação de investidores


Dólar: em meio às incertezas na disputa pela Presidência, moeda norte-americana alcança cotação que já chega aos R$ 4,14


A cada eleição, a situação se repete: as dúvidas sobre os rumos da disputa pela Presidência se multiplicam no mercado e alimentam as especulações, elevando a cotação do dólar e pressionando a bolsa para baixo. Este ano, no entanto, as especulações ganham um ingrediente a mais: as dúvidas eleitorais levam a uma real incerteza sobre os rumos do país, a partir da posse do novo presidente, em janeiro.

As especulações estiveram presentes nos últimos pleitos, ainda que a maioria concordasse que pouco mudaria na economia, se a escolha recaísse sobre Lula ou Alckmin, em 2006; ou entre Serra e Dilma, em 2010.  Até admite-se que havia algum sentido nas dúvidas em torno das eleições de 2002, quando muitos não percebiam a mudança no PT e em Lula, que desde 1995 tinham trilhado uma forte caminhada que os aproximava do Centro ideológico.

Agora, no entanto, o quadro eleitoral alimenta dúvidas profundas. Há ofertas que podem levar a um maior ou menor intervencionismo, ou a tomar em medida bem diferente o déficit fiscal ou o problema da Previdência. Há ainda quem encare o problema da violência como um caso de polícia enquanto outros abracem outras variáveis como determinantes e, portanto, como solução do problema.

Há dúvidas sobre o futuro do Brasil em todas áreas, conforme o candidato analisado. Mas é certamente a economia o campo que mais provoca análises. É revelador dessa preocupação um fato novo desta eleição: a sabatina dos “gurus” econômicos de cada postulante à Presidência da República. E essas sabatinas às vezes mostram que o discurso do economista nem sempre bate com as falas dos candidatos. Daí surge a pergunta: o que vai prevalecer, a consistência técnica do guru ou o humor político do presidente?

É outro ingrediente a mexer com o tempero das expectativas e ampliar as incertezas. Como consequência, o dólar bate em R$ 4,14 e a Bovespa vai apresentando desempenho magro que revela a pouca confiança do investidor no cenário futuro. Para piorar, tem o contexto internacional que faz o investidor global, um apostador nas expectativas, tirar suas fichas do bloco dos emergentes, Brasil entre eles.

A especulação faz parte desse jogo, refletido nas cotações do dólar e na movimentação das ações. Mas poucas vezes as incertezas tiveram tantos alimentadores quanto a diversidade de pensamento entre os candidatos ao Planalto.