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Atentado a Bolsonaro, agressão à nossa frágil democracia


Jair Bolsonaro: atentado contra o candidato à Presidência pelo PSL também fere a frágil democracia brasileira

 

O atentado contra Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, deixou o país atônito. Nem mesmo o clima de tensão em que ninguém conversa com ninguém – mas apenas briga – justifica atos como esse. Não é um atentado contra Bolsonaro, mas contra uma disputa democrática. E, pode-se dizer, contra a própria democracia, a frágil democracia brasileira, cheias de imperfeiçoes e questionamentos ainda mais eloquentes nesses últimos anos.

Em todo o mundo, não se discute a democracia. Mas se questiona com muita força a qualidade das democracias que rodeiam o planeta. Não é diferente no Brasil. Aliás, é até bem natural, em um país marcado por absurdas desigualdades e profundas injustiças.

Nesse saldo extremamente frustrante, o brasileiro busca novos rumos. E até faz concessões a princípios inerentes à democracia, como os direitos humanos. Bolsonaro é filho desse cenário, com um discurso forte que muitas vezes desdenha das liberdades, das desigualdades e até de aspectos humanitários. Também faz pouco caso da cultura, como aconteceu no episódio do incêndio que destruiu o Museu Nacional.

Mas a voz de Bolsonaro tem eco. Há muitos que pensam igual, sobretudo porque não enxergam caminhos sólidos nas ofertas que estão aí há um bom tempo. Em meio ao descrédito, boa parte dos brasileiros aposta em uma outra alternativa, e Bolsonaro vem se mostrando uma das mais aceitas por esse mundo de brasileiros descrentes de quase tudo.

Mas Bolsonaro também provoca reações fortes, tão fortes quanto o seu discurso. E reações até tresloucadas, como a de ontem, quando um sujeito resolveu que acertaria as diferenças na ponta da faca. Não resolveu, porque não é esse o caminho razoável para se resolver um embate ou as divergências. Além de não levar a solução nenhuma, o tresloucado gesto agregou problemas a esse cenário já bastante encrespado.

O ataque a Jair Bolsonaro tira ainda mais protagonismo dos debates sobre os rumos do país. Ganha ainda mais protagonismo o emocional, ingrediente que vem norteando a política brasileira há tempos. A vitimização, tão presente nos últimos meses, pode outra vez ganhar destaque – mesmo considerando-se que neste caso haja razões para tanto.

O esforço de todos os candidatos à presidência em condenar o atentado não esconde o principal: o jogo bruto continua. Basta ver algumas mensagens que circulam pela internet. Boa parte apontava culpados entre adversários. Outro tanto se esforçava para culpar a própria vítima.

Nesse jogo de versões e construção de culpas, vai perdendo a ainda frágil democracia brasileira. Porque uma democracia sólida está sempre alicerçada na informação aberta, livre e consistente. O que temos visto não é bem isso. E tanto disse-me-disse não fortalece nenhuma democracia, muitos menos uma como a nossa, que carece de maior robustez.