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Bolsonaro escolhe culpado e, portanto, adversário


Jair Bolsonaro: após atentado, aliados apontam culpados e escolhem o adversário que seria o contraponto ao candidato do PSL

 

O atentado a Jair Bolsonaro, o candidato do PSL à presidência da República, gerou reações emocionais. Muita gente se descabelou. Mas nada disso aconetece dentro do espaço das coordenações políticas, nem na do próprio candidato, tampouco na dos adversários. As reações foram medidas. Objetivas. Estratégicas. No caso de Bolsonaro, com uma intenção clara: apontar culpado e, também, escolher um adversário que possa considerar mais fácil de bater.

Logo depois do atentado, todos os demais candidatos à Presidência se apressaram em condenar o fato. Defenderam a democracia e desejaram plena recuperação ao agredido. Um gesto muitas vezes protocolar. Alguns talvez pensassem: “Olhaí! Está colhendo o que plantou”. Mas, no cálculo frio das campanhas, o gesto era necessário, até para não ter contra si a reação emocional do eleitor.

Ah, o emocional, sempre presente nas campanhas!

Mas é só entre o eleitor que essa reação emotiva se processa. O eleitor chora, se condói, se penaliza, muda de ideia e até muda de voto. Nas coordenações de campanha, não tem nada disso. Cada passo é medido. Bem medido.

Hoje pela manhã, os filhos de Bolsonaro falavam do bom humor do pai – um reforço na humanização que a imagem dura do candidato não ajudava a elevar. Também apontaram culpados. Um dos filhos – o deputado Flávio Bolsonaro –  foi bem explícito, ainda que não preciso nos fatos: disse que o agressor tinha filiação partidária e que participava de atos a favor de Lula.

A declaração não era de um filho desesperado por Justiça contra a atrocidade cometida contra o pai. Não. Foi uma declaração tranquila, serena e com endereço político claro. Ao apontar Lula, a família Bolsonaro aponta culpados sem usar entrelinhas. E escolhia adversário. Se antes já havia um sentimento que colocava os dois grupos nos extremos dos embates, agora isso deve ocorrer de forma mais direta.
 

Haddad, o único que Bolsonaro venceria

A última pesquisa Ibope (registro no TSE BR-05003/2018), divulgada na terça-feira, mostra a liderança de Bolsonaro nas intenções de voto. Mas também mostra as dificuldades que o candidato do PSL teria em um segundo turno. Conforme as simulações do Ibope, Bolsonaro perderia para todos, menos um. E esse um é Fernando Haddad, o candidato do PT e de Lula.

Ao apontar para o petismo e para o lulismo, Bolsonaro não faz por acaso. Reforça o confronto entre esses dois lados. E tenta escolher o candidato que, pelo menos até a última pesquisa, se mostrava mais vulnerável.

É um cálculo de risco. Mas é um cálculo frio feito nas campanhas, essas campanhas cercadas de eleitores que reagem apenas emocionalmente.