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Os possíveis efeitos do atentado nos índices de Bolsonaro


Bolsonaro,com Janaína Pascoal: tentativa frustrada de ter uma vice para agradar ao público feminino, que mantém distância do candidato

 

A última pesquisa do Ibope (registro no TSE BR-05003/2018), divulgada na terça-feira, confirmou uma notícia antiga: Jair Bolsonaro (PSL) é o líder da corrida pela Presidência da República. Uma liderança consolidada, segundo a análise dos números. Mas a pesquisa também mostrava outra velha notícia, que vinha tirando o sono de Bolsonaro: sua rejeição é tão alta que o faria uma presa fácil no segundo turno.

O absurdo atentado da quinta-feira traz a possibilidade do limão ser transformado em limonada. Após o episódio que prendeu a atenção do Brasil, é possível que a imagem dura e agressiva de Bolsonaro seja suavizada. Deve ganhar alguns votos. Mas deve ter como principal resultado a redução brusca de seus índices de rejeição.

Era tudo o que o candidato do PSL queria, para ter o que não tinha: viabilidade no segundo turno.

Há uns dois anos, Bolsonaro brada pelo Brasil afora um discurso do confronto e da força. Esse tipo de conduta o afastava, por exemplo, do público feminino. Tentou uma mulher como candidata a vice – a advogada Janaína Pascoal – para reduzir essa rejeição segmentada. Não conseguiu. Pior: a linguagem adotada nas sabatinas e debates das últimas semanas não ajudaram e a rejeição de Bolsonaro, conforme o Ibope, chegou a ser o dobro da intenção de voto.

O episódio de quinta-feira pode mudar esse retrato.

A percepção de brutamontes pode ser significativamente atenuada. Ao sangrar (literalmente) em praça pública, Bolsonaro sem querer mostrou um lado humano. É gente. E, ferido em um ato tresloucado, ainda pode ter a possibilidade de agregar o sentimento piedoso do eleitor. Coitadinho costuma ser acariciado pelas massas brasileiras.

Nada disso vai mudar a figura e a personalidade de Bolsonaro. Mas alterará a percepção que dele se tem. Isso pode produzir uma forte redução nos índices de rejeição, o grande entrave da campanha do candidato do PSL, até agora.

Se essa possibilidade de materializar, o presidenciável linha-dura pode cair nas graças de muita gente que para ele torcia o nariz. Inclusive no público feminino.