Cidadeverde.com

Tem um novo candidato: o Geraldo


Geraldo Alckmin: atentado contra Jair Bolsonaro se transforma em mais um problema para a campanha do tucano à Presidência

 

Em 2006, os estrategistas da candidatura do PSDB à Presidência da República decidiram: nada de Alckmin. Tinham que buscar um nome popular, mais palatável. Um nome mais fácil de entender. E o Alckmin virou simplesmente Geraldo.  A mudança focava especialmente o Nordeste, onde o adversário do tucano, o então presidente Lula, tinha sua base mais sólida. Mas o Alckmin que se tornou Geraldo não alcançou a vitória, perdendo no segundo turno.

Agora o Geraldo está de volta.

Vale notar, os analistas políticos apontam aquela troca de nome como um erro estratégico da campanha de Geraldo Alckmin, em 2006. A mudança oferecia um nome fácil para aquele eleitor que não conhecida o ex-governador de São Paulo. Mas causava estranheza entre os eleitores que estavam acostumados a vê-lo como Alckmin.

O detalhe é que, depois da eleição, Alckmin voltou a ser Alckmin em São Paulo, inclusive nas matérias do portal oficial do governo, enquanto foi governador. Continuou a ser Alckmin também no trato com os colegas de partido, onde ninguém o chama de Geraldo. Na prática, o Geraldo existiu apenas nos três meses da campanha de 2006.

Apesar disso, o Geraldo voltou para esses menos de dois meses da atual campanha, até o 7 de outubro. O material de campanha do candidato tucano tenta unir um nome ao outro, diminuindo a confusão. Nos jingles, fala em Geraldo, para mais adiante falar em Geraldo Alckmin. As cartelas que aparecem nos vídeos trazem os dois nomes, mas com o Geraldo em negrito.

É uma tentativa, mas não deixa de causar certa estranheza. Primeiro, porque nesses últimos 12 anos ninguém falava em Geraldo – quando muito, falava-se em Geraldo Alckmin. No geral, o trato dado era simplesmente Alckmin. Segundo, porque parece que a lição de 2006 não serviu.
 

Alckmin e o atentado contra Bolsonaro

Geraldo Alckmin ainda não apresentou desempenho robusto nas pesquisas. Cresceu, mas segue em quarto. Agora tem dois problemas a mais. O primeiro, a emocionalização em torno do atentado contra Jair Bolsonaro (PSL). Vale lembrar, ninguém atacava mais Bolsonaro que Alckmin – e isso pode ter consequências.

Outro problema é a decisão da própria equipe de Bolsonaro, que apontou o dedo para o PT, associando o agressor ao entorno de Lula. Alckmin apostava na visibilidade da propaganda eleitoral, tanto para derrubar Bolsonaro como para crescer. Os primeiros programas na TV foram considerados bem feitos. Mas isso agora pode não representar tanto.

Ou pior: os ataques feitos a Bolsonaro podem gerar agora um fato contraproducente.