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O Nordeste pode decidir a eleição outra vez?

 

Pelo menos nas três últimas disputas, a região Nordeste teve papel decisivo na eleição do presidente da República. Na disputa de 2014, no segundo turno, Dilma Roussef (PT) alcançou os maiores percentuais em estados como Maranhão, Piauí e Pernambuco. A vantagem aqui alcançada garaniu a diferença sobre Aécio Neves (PSDB). Mas se nos pleitos recentes o PT tinha um domínio amplo na região, desta vez o Nordeste mostra uma fragmentação que não até o momento não indica preponderância de ninguém. Uma pergunta que fica é: a região Nordeste terá o papel decisivo de antes?

No atual cenário, o Nordeste vem sendo decisivo pelo menos para definir os que estariam em um segundo turno. De acordo com a última pesquisa do Data Folha (registro no TSE BR-02376/2018) Bolsonaro (PSL) lidera a intenção de voto em quatro das regiões do país. Perde exatamente no Nordeste, onde Ciro Gomes (PDT) vem crescendo. O candidato do PDT aumentou 6 pontos pencentuais na região.

Esse bom desempenho de Ciro no Nordeste tem assegurado o segundo posto e, no momento, uma passagem para a segunda ronda eleitoral. E, conforme as simulações do DataFolha, Ciro venceria Bolsonaro – aliás, todos venceriam Bolsonaro, dono de uma enorme rejeição. Seja como for, o Nordeste vem recebendo uma atenção especial de Ciro e, pelo menos por enquanto, vem fazendo a diferença.

Obviamente, Ciro não estará sozinho na busca desse eleitorado. Não é para menos: são quase 40 milhões de votantes no total de 147,5 milhões de brasileiros habilitados a ir às urnas no dia 7 de outubro. Percentualmente, o Nordeste tem 26,6% dos votos nacionais, ficando atrás apenas do Sudeste, que soma 43,3% dos votantes.

Quem conseguir a maior fatia dos votos nordestinos, pode estabelecer um bom diferencial.
 

Ciro x Haddad, um embate à vista

Para a maior parte dos analistas, uma vaga no segundo turno está praticamente reservada para Jair Bolsonaro. O segundo posto, no entanto, está completamente indefinido. O bom desempenho de Ciro nas últimas pesquisas não asseguram nada, principalmente porque o candidato do PDT terá um embate direto com Fernando Hadadd (PT) por votos em São Paulo e no Nordeste.

Ciro e Haddad querem falar diretamente com o eleitor que antes optava por Lula. Umas das preocupações imediatas de Ciro, direta ou indiretamente, será desqualificar Haddad. Lembrará que o petista foi eleito prefeito de São Paulo como uma espécie de poste de Lula, versão 2. E que saiu muito mal avaliado, incclusive derrotado no primeiro turno quando tentou a reeleição. Dirá que Haddad não tem a qualificação necessária para o posto. E Ciro tentará dizer que pode ser o real representante do lulismo.

Resta saber se convencerá.