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Pesquisas dizem pouco sobre o 2º turno


Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Guilherme Boulos e Henrique Meireles, no espaço do debate da TV Bandeiranntes, realizado em agosto

 

Presente em todas as pesquisas que avaliam o quadro da disputa pela presidência da República, as simulações sobre possíveis 2º turno são apenas um leve indício do que pode acontecer. Como se costuma dizer, o 2º turbo é uma outra eleição, afirmação que vale inclusive a respeito das pesquisas. No segundo turno, o que mais conta é a capacidade de somar apoios – e isso pode não ter nada a ver com as projeções das pesquisas atuais.

Segundo o último levantamento divulgado ontem pelo Ibope (Registro no TSE: BR-05221/2018), Jair Bolsonaro (PSL) lidera a corrida presidencial com mais do dobro da intenção de voto do segundo colocado, Ciro Gomes (PDT). Bolsonaro tem 26% das intenções de voto, contra 11% de Ciro. Em seguida vêm Marina Silva (REDE) e Geraldo Alckmin (PSDB), ambos com 9%, e Fernando Haddad (PT), com 8%.

Na simulação de 2º turno, o Ibope encontra as seguintes situações:

Ciro Gomes  40% x 37%  Jair Bolsonaro
Geraldo Alckmin  38% x 37%  Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro  38% x 38%  Marina Silva
Jair Bolsonaro  40 x 36  Fernando Haddad

Estatisticamente, há empate em todas as situações, embora numericamente Bolsonaro perca para Ciro e Alckmin, iguale com Marina e ganhe apenas de Fernando Hadadd. A leitura do momento é que a alta rejeição de Bolsonaro leve a essa desvantagem em dois cenários e empate em um terceiro, com vantagem apenas contra o menos conhecido desses quatro potenciais adversários.

Tais números são um indício, mas podem simplesmente perder o sentido em um 2º turno real, quando outros fatores prevalecem, desde a percepção sobre a possibilidade de êxito de cada candidatura como, e principalmente, a capacidade de somar apoios.

Nesses casos, as posições menos extremadas costumam levar vantagem.
 

‘Centro’, enfim, pode ter peso na campanha

A disputa em um muito provável 2º turno tende a ter Jair Bolsonaro como um dos dois concorrentes. O segundo nome está entre Ciro, Marina, Alckmin e Haddad. Pode dar qualquer coisa. E esse resultado vai determinar o rumo das articulações. É quando o “centro” do espectro ideológico deve ter peso na eleição deste ano.

Até agora o centro não conseguiu construir uma alternativa eleitoral consistente. Mas a migração do voto de centro vai decidir no 2° turno. É dentro desse raciocínio que analistas avaliam que quanto mais próximo do centro estiver o adversário, digamos, de Bolsonaro, mais tende a agregar. Se as opções forem mais para os extremos, o centro se divide – e pode ver votos migrando tanto para a direita como para a esquerda.

Ainda assim, esse eleitorado tende, enfim, a ter protagonismo na disputa.