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Próximas pesquisas podem incentivar 'voto útil'


Ciro Gomes, em Ceilândia, DF: esforço para manter a perspectiva de ir para o segundo da disputa presidencial

 

As pesquisas que serão divulgadas nos próximos dias, sobre a disputa pela Presidência da República, devem apontar movimentos estratégicos de grupos organizados da sociedade, e até mesmo de segmentos sem vínculos associativos mas com senso crítico. Esses movimentos se traduzem no chamado voto útil, e devem estar associados especialmente a três candidatos: Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT).

A atenção a esses três nomes tem uma razão óbvio: há quase um consenso de que uma das vagas no 2° turno está garantida, e ela pertence a Jair Bolsonaro (PSL), o candidato da ultradireita. Em sendo assim, restaria saber quem será o outro concorrente presente nas urnas no dia 28 de outubro. PT e PSDB se olham mutuamente, com recíproco sentimento de rechaço. Um não quer ver o outro na urna. E Ciro olha a tudo isso com esperança. Nesse jogo estratégico, Marina Silva (Rede) é vista com menores chances de entrar em campo.

O jogo estratégico está sendo considerado especialmente no PSDB. Os partidários de Alckmin estão perdendo a esperança de ver o tucano deslanchar. As pesquisas dos próximos dias, com olhar mais detido sobre DataFolha e Ibope, devem vir a público entre segunda e quarta-feira. E elas podem acender ou apagar as esperanças de Alckmin. Se o candidato do PSDB não mostrar fôlego e, ao mesmo tempo, Haddad apresentar bons resultados, é bem provável que muitos tucanos comecem a depositar interesse redobrado em Ciro Gomes.

Obviamente, esse cálculo leva em conta a possibilidade do petista colher os frutos do anúncio oficial de sua candidatura. Se os índices não forem generosos, aí é o próprio PT quem vai olhar para o lado e tentar escolher o adversário de Bolsonaro. E essa opção seria naturalmente Ciro.

O detalhe é que será preciso olhar com atenção para os índices do próprio Ciro. Nas últimas pesquisas, ele mostrou força no Nordeste, o reduto referencial de Lula. Se os lulistas nordestinos perceberem que Haddad representa bem o ex-presidente, é possível que Ciro colha algum revés nos índices de intenção de voto.

Mas tudo isso é expectativa. As pesquisas é que vão apontar caminhos a serem trilhados por cada um.
 

Como não comprar briga no 1º turno

Em uma campanha com perspectiva mais que concreta de um 2º turno, os candidatos têm duas preocupações na primeira volta. Primeiro, chegar entre os dois que vão para a segunda rodada de votação. Depois, evitar brigas que sejam insuperáveis com candidatos que ficam para trás e, no 2° turno, vão manifestar apoio a algum finalista.

Ciro Gomes deve estar vivendo esse dilema. Já de olho na possibilidade de Haddad avançar sobre seu reduto nordestino, Ciro andou alfinetando o petista. Por exemplo: comparou o ex-prefeito paulista a um poste – um segundo poste lulista, depois de Dilma, que considera um desastre. Esse tipo de fala gera animosidade e pode arrefecer o empenho dos petistas em um 2º turno em que o pedetista represente os progressistas.

Mas talvez Ciro tenha calculado bem esse gesto. Se for para o 2º turno com Bolsonaro, os petistas podem até manifestar algum desconforto. Mas, diante da outra opção, dificilmente deixariam de votar em Ciro.