Cidadeverde.com

Candidatos a deputado abocanham maior parte da grana do Fundo

A prioridade dos partidos em eleger representantes na Câmara dos Deputados vai se confirmando através da distribuição das fatias do Fundo Eleitoral pelas mais diversas siglas. Até o momento, os partidos já repartiram R$ 1,4 bilhão, destinado às mais diversas candidaturas. Mas as campanhas para deputado federal abocanharam a maior fatia do bolo: R$ 930 milhões, o que corresponde a 68,7% do total.

O Fundo Eleitoral totaliza R$ 1,7 bilhão de Reais. A maior parte dos partidos já está torrando a parte que lhe cabe. Alguns poucos – como PT – deixam uma parcela para o segundo turno, seja nos estados, seja na disputa pela Presidência. Os números até agora disponibilizados pelo TSE são naturalmente parciais, já que a contabilidade final pode ser apresentada até 30 dias depois do encerramento da disputa de cada cargo.

Do que foi liberado até agora, três partidos (MDB, PR e PP) respondem por 36,9% desses repasses a candidatos. Somente o MDB já distribuiu entre seus candidatos a bagatela de R$ 202,2 milhões. PR e PP vêm em seguida, com R$ 162,2 milhões e R$ 142,5 milhões, respectivamente. São 34 partidos participando do bolo e até mesmos as siglas com candidatos a presidente costumam priorizar os candidatos a deputado federal.

A razão é mais que óbvia: é a representação na Câmara que vai definir a participação dos partidos no Fundo Partidário – distribuídos em anos sem eleição – e nos espaços de propaganda no rádio e TV. Para participar da partilha, a sigla tem que superar a cláusula de barreira, que exige votação mínima de 1% em pelo menos 9 estados e a eleição de ao menos 9 deputados, em estados distintos. O resultado é a injeção de dinheiro nas campanhas de deputado federal.

Dos 15 partidos que mais gastaram dinheiro do Fundo Eleitoral (ver quadro abaixo), somente três (PSDB, PDT e PCdoB) destinaram menos de 40% do dinheiro para as candidaturas de deputado federal. No caso do PSDB e PDT, porque os partidos destinaram uma boa parte do bolo a seus candidatos a presidente: 32,7% para a campanha de Geraldo Alckmin e 34,2% para a de Ciro Gomes. Esse tipo de atenção não teve o MDB, que destinou apenas 1% dos recursos para a campanha de Henrique Meireles, enquanto injetou pouco menos da metade do dinheiro para a disputa pela Câmara.

Há casos como o PTB, que distribuiu dois terços do dinheiro do Fundo Eleitoral entre as candidaturas de deputado federal. O PCdoB foge à regra: a maior fatia vai para as disputas de deputado estadual, que concentram mais da metade dos recursos. Outra exceção é o REDE de Marina Silva (que não está entre os 15 maiores). O partido prioriza a candidatura presidencial, que recebeu pouco mais da metade dos R$ 11,1 milhões até agora distribuídos.