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Campanha esquece mudanças e deixa Brasil com futuro incerto


Quarta Revolução Industrial: uma nova onda de mudanças sacode o mundo, mas o Brasil olha tudo com pouco caso 

 

No esporte funciona assim: quando um time (ou uma equipe, no caso da Fórmula 1) é muito superior às demais, os adversários aproveitam a mudança de ciclo (no caso da F-1, mudança de regras) para voltar ao topo. Na economia também é assim: a mudança de paradigma ou de matriz abre uma oportunidade enorme para que nações ou grandes corporações aproveitem o novo caminho para chegar a um novo estágio. A mudança de matriz, para uma economia de baixo carbono, não está sendo olhada pelo Brasil, que corre o risco de perder a oportunidade.

Uma boa demonstração dessa miopia é a campanha presidencial, onde o debate sobre o desenho futuro do nosso país passa quase ao largo. Há discurso demais para atrair votos fáceis e pouco refletidos, com o completo esquecimento do que pode ser o rumo do país. Nesse jogo para a platéia, aparecem em destaques propostas que beiram o populismo: o programa “nome limpo” de Ciro Gomes (PDT), o “mais médicos” turbinado de Fernando Haddad (PT), o genérico “menos imposto” de Jair Bolsonaro (PSL) e o subsídio para o setor rural, de Alckmin.

Velhas propostas requentadas que falam mais do passado que do futuro.

O certo é que, querendo ou não, o mundo está sendo levado para a chamada “economia de baixo carbono”, com o desenvolvimento de tecnologias e práticas que tentam fazer o planeta andar sem se condenar. As grandes corporações estão de olho nesse novo caminho. As grandes nações, também. Para ficar em assuntos já algo triviais: o táxi do futuro é um drone e o carro dos próximos dias nem motorista tem, sem falar na nanotecnologia e na engenharia genética.

E o que nós estamos fazendo a respeito? Muito pouco.

Mas muitas corporações e países estão atentos a essas e outras mudanças mais profundas. A razão é simples: quem tiver essas novas práticas terá melhores condições de vida; e quem alcançar primeiro essas novas tecnologias, terá as chaves da economia das próximas décadas, talvez do próximo século.

No Brasil, o tema simplesmente não existe, talvez preso à ideia de que temos a maior fatia das águas do planeta e o maior pedaço de florestas. São trunfos que temos, sim. Mas não são suficientes. Pensar nas mudanças é pensar sobre o lugar que queremos ocupar no cenário futuro.

O problema é que o tema inexiste entre os candidatos, entre os planejadores e até mesmo entre os pesquisadores das universidades, que deveriam estar pelo menos um passo adiante do cidadão comum. E se é assim, corremos sério risco de chegar a essa nova Era – uma 4ª Revolução Industrial, segundo alguns – como chegamos nas anteriores: com atraso. E na condição de coadjuvantes.

Aí repetiremos a realidade do esporte: quem não aproveita a mudança de ciclo para se renovar e se superar, sempre estará em um lugar que não é o do campeão.