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Livro traça perfil do que será ‘4ª Revolução Industrial’


Klaus Schwab, empunhando o livro A Quarta Revolução Industrial: roteiro do futuro que já começou a ser vivido pela humanidade

 

A 4ª Revolução Industrial, ausente na discussão sobre o Brasil do futuro, já está em curso. Ela começou na virada do século e vai promover uma das mudanças mais radicais na vida da humanidade, com alterações profundas no jeito de ser das pessoas. Todas as pessoas. “As mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história da humanidade, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso”, diz Klaus Schwab, autor do livro que se tornou referências na discussão sobre o tema.

O livro (A Quarta Revolução Industrial, editora Edipro) foi lançado a mais de dois anos, em pleno encontro de Davos, quando a cúpula econômica mundial tenta tatear a realidade de hoje e do futuro. Mas segue atual e tornou-se leitura obrigatória de quem quer enxergar pelo menos um palmo adiante do nariz. Seria um bom presente para todos os candidatos à presidência. E para governantes em geral.

A inovação tecnológica é o grande motor da nova Revolução. Mas não é uma inovação qualquer. Ela é de outro mundo. Schwab destaca o caminho: inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, armazenamento de energia e computação quântica. Em todas essas evoluções, o Brasil é quase somente um curioso. E que logo se torna comprador.

Ele destaca três áreas impulsionadores dessa nova Era: a Física, a Digital e a Biológica, todas inter-relacionadas. Na Física estão, por exemplo, os veículos autônomos, as impressoras 3D e a robótica. Na Digital está a chamada “internet das coisas”, bem como o mundo conectado (inclusive a partir dos veículos). Já na área Biológica o grande tema é a revolução no campo da genética, incluindo a recriação de órgãos – o que traz uma profunda discussão sobre a questão ética.

As tendências apontadas por Schwab são essas, algumas já razoavelmente desenhadas. Ainda assim persistem muitas discussões sobre aonde cada uma nos levará.
 

O emprego será outra coisa

A 4ª Revolução Industrial muda tudo. Por exemplo, a questão do emprego. Muitas profissões simplesmente deixarão de existir, substituídas por mecanismos de automação. O próprio Schwab destaca algumas atividades, entre elas operadores de telemarketing, avaliadores de seguros e danos automobilísticos, árbitros, juízes e outros profissionais desportivos (olha o VAR aí, gente), corretores de imóvel e mão de obra agrícola.

Um exemplo da mudança em curso é citada no livro: em 1990, as três grandes montadoras de Detroit, ainda a referência da economia norte-americana, faturavam 36 bilhões de dólares, empregando 1,2 milhão de pessoas. Em 2014, apenas 24 anos depois, as três grandes do Vale do Silício – nova referência da economia – faturavam 247 bilhões de dólares empregando 137 mil pessoas. Faturamento seis vezes maior, com pouco mais de um décimo de pessoal.