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Voto útil do ‘Centrão’ se torna cada vez mais inútil


Geraldo Alckmin, na solenidade em que recebu apoio do Centrão: voto útil na reta final pode ter efeito nulo

 

Lideranças do “Centrão” estavam esperando as novas pesquisas para decidir se abandonam de vez Geraldo Alckmin (PSDB), na intenção de buscar o voto útil na corrida pela Presidência da República. A espera parece cada vez mais sem sentido, simplesmente porque não há o que decidir. A última pesquisa Ibope, divulgada ontem, confirma a tendência já apontada nas anteriores e deixa praticamente fechado o 2º turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A esperança dos “centristas” era que um movimento em bloco pudesse escolher um dos nomes presentes no segundo turno. Inicialmente os partidos do “Centrão” depositavam suas fichas em Geraldo Alckmin (PSDB), e por isso o bloco foi junto para a coligação encabeçada pelo tucano. Mas o Geraldo não emplacou. Está com intenção de voto de um dígito e virtualmente fora da disputa. Daí, os centristas voltaram suas atenções para Ciro Gomes (PDT), na esperança que ele fosse a alternativa tanto a Bolsonaro como a Haddad,

A nova pesquisa Ibope (registro no TSE: BR-06630/2018)  mostra que Bolsonaro segue na liderança, com 28% das intenções de voto. O segundo é Haddad, com 22%, exatamente o dobro de Ciro. Depois vêm Geraldo Alckmin, com 8%, e Marina Silva (Rede), com 5%. Para o voto útil do “Centrão” valer, é preciso despejar em Ciro mais que um Alckmin inteiro. Para superar as intenções de voto de Haddad, seriam necessários todos os votos de Alckmin e Marina, somados.

Como essa é uma operação dificílima, o voto útil do Centrão parece cada vez mais inútil, sem efeito.

Há um detalhe a mais nessa operação: boa parte do Centrão não tem muitos problemas para se juntar ao futuro presidente, seja ele Bolsonaro ou Haddad. Veja o caso do PP do senador piauiense Ciro Nogueira. Ciro já teve Bolsonaro em sua sigla e, mesmo aliado de Alckmin, está no palanque de Haddad.

Nada mais “Centrão” que esse pragmatismo.