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Alckmin esquece que 'perde quem apanha e quem bate'


Geraldo Alckmin: com duplo erro estratégico, grande espaço de propaganda na TV não surte efeito e tucano empaca nas intenções de voto 

 

Geraldo Alckmin (PSDB) tem o maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Mas tanto espaço de propaganda não tem surtido efeito. A análise é simples: Alckmin errou em dobro. Ou em triplo, já que a ideia de mudar de nome de Alckmin para Geraldo é um desastre repetido.

Além da equivocada troca de nome, Alckmin errou na linguagem distante e no tom morno e sem lado da propaganda dos primeiros dias no rádio e TV. Não pegou. E teve que mudar de rumo: depois que viu Jair Bolsonaro (PSL) se manter no alto e Fernando Haddad (PT) avançar, o tucano partiu para a porrada. Desandou a bater em Bolsonaro, tentando tomar para si o voto anti-PT. Tentativa tardia: esse voto é de Bolsonaro há muito, em boa parte culpa de um PSDB que jogou errado no processo de impeachment e, sobretudo, ao longo do governo Temer.

Outro erro foi o tom dessa etapa da porrada. Os marqueteiros de Alckmin esqueceram de um detalhe da chamada propaganda de ataque. Esse tipo de anúncio sempre tira pedaço de quem apanha – e Bolsonaro viu sua rejeição voltar a subir para níveis anteriores ao atentado. Mas também tira lascas de quem bate. Um caso exemplar é o de Edson Vidigal, em 2006, no Maranhão. Ele bateu e bateu em Roseana Sarney. Ela perdeu voto, mas ele não ganhou um só. Foi tudo para Jackson Lago, ue terminou vitorioso.

Há ainda o exemplo de Teresina, na disputa pela prefeitura em 1996. Leal Júnior bateu e bateu em Alberto Silva. Não ganhou um voto. Os votos perdidos por Alberto foram todos para Firmino.

Uma lição elementar, mas os marqueteiros de Alckmin não deram bolas para ela. E Alckmin está aí, fora do jogo.