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Brasil rachado: união no 2º turno, só se for contra alguém


Aécio Neves e Dilma Rousseff: a divisão de 2014 que ainda ecoa até hoje, sem perspectivas de arrefecimento 

 

As eleições deste ano estão empurrando o Brasil para uma divisão perigosa, talvez com mais riscos que a verificada em 2014. A possibilidade de “pacificação do país” está ainda distante e não há perspectiva sequer de união em torno de um nome na disputa de segundo turno.

Na eleição presidencial passada, apostou-se no discurso do “nós contra eles”, dividindo o país entre norte e sul, pobres e ricos, coxinhas e mortadelas, pai contra filho, irmão contra irmão etc etc. O resultado de tanta divisão conhecemos bem porque sentimos na pele.

A debacle econômica desenhada desde antes do início do governo Dilma e que ela não soube nem de longe contornar, logo ganhasria um ingrediente catastrófico: uma crise política que se consolidou no embate acirrado de 2014 e que nem PT, nem PSDB soube (ou tentou) superar. O que se viu foi a divisão persistir. E ser alimentada.

Dilma refirmou essa divisão já no discurso da vitória, quando disse que a reeleição era uma prova de que o Brasil havia aprovado seu governo. Ora, metade do Brasil, já que o eleitorado se dividiu ao meio. Além disso, o eleito deve descer do palanque e governar acima dos partidos. Dilma não fez isso. Também Aécio não engoliu a derrota e partiu para o questionamento do resultado, o que terminou desaguando no impeachment.

Agora a divisão segue. Há PT de um lado, e anti-PT de outro. Há Bolsonaro de uma parte, e anti-Bolsonaro de outra. E há ainda os que atiram para todos os lados, como Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Ciro, o candidato que há muito bate (e bate forte) em Bolsonaro, acaba de dizer que nunca vai “andar” com o PT.

Tudo isso mostra o tamanho da divisão. Não são mais dois polos. São três ou quatro. E nenhum quer falar com o outro. Há uma animosidade generalizada que se soma à pouca vontade do eleitor de dar bolas para política – o eleitor perdeu a paciência com tudo isso...

A possibilidade de União, no segundo turno, só se for contra alguém. A favor, não há esse caminho.
 

Quem vai andar com o PT ou com Bolsonaro?

A disputa em segundo turno é, teoricamente, uma tentativa de assegurar um eleito com aval da ampla maioria do eleitorado. Em, 2014 não deu certo: os dois concorrentes saíram quase do mesmo tamanho, inclusive no ódio mútuo. Agora há ódio multiplicado. E há pouca chance da união em torno de algum nome.

É um péssimo sinal, porque a falta de união deixa o país em sobressalto.

Se houver união em torno de algum nome será para negar um segundo nome. Por exemplo: se Haddad e Bolsonaro forem para o segundo turno. Aí teremos que ver o que vai ser mais forte, se o movimento anti-Bolsonarto ou o movimento anti-PT.

Definitivamente não será uma união a favor. Será a união contra.