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Centro some da disputa presidencial e aparece nos estados

Desta vez o “Centrão” bem que tentou, mas não conseguiu um candidato próprio à presidência da República. Vai ter mesmo que usar a velha fórmula: aderir ao governo, qualquer que seja o presidente, e garantir a governabilidade às custas de muitas benesses. E essa centralidade na governabilidade está assegurada por outro dado desta eleição: o Centrão que desaparece na disputa presidencial reaparece nas eleições nos estados. E com muita força.

Levantamento com bases nas pesquisas divulgadas na última semana pela mídia nacional mostra que sete partidos da centro-direita (PSDB, MDB, DEM, PP, PSD, PROS e PHS ) lideram em 16 estados. Os de centro-esquerda (PCdoB, PSB e PT) lideram em 11. Os campeões, até aqui, são de um lado o PSB (liderança em 6 estados) e, de outro, o MDB (líder em 5).

É claro, muita coisa pode mudar, sobretudo porque muitas dessas lideranças terão que ser reafirmadas em segundo turno – como a do MDB em São Paulo, que lá tem como principal concorrente outro partido de centro-direita, o PSDB. O MDB também pode passar à lideranças em outros lugares, como em Brasília, onde o PROS lidera mas perde espaço.

O quadro abaixo mostra que a centro-esquerda lidera unicamente no Norte e Nordeste e no Espírito Santo. A centro-direita tem posição mais destacada no Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Quase se repete a divisão de 2014, com a parte de cima do mapa toda vermelha e a de baixo, inteiramente azul. Agora há pontos azuis em Alagoas, Tocantins, Pará, Acre, Rondônia e Roraima.

No levantamento feito a uma semana da eleição, há muita o que se definir. Mas os dados atuais mostram que, se os líderes de hoje confirmassem a eleição, 21 dos 27 governadores sairiam de siglas que não estão com nenhum dos dois líderes das pesquisas para presidência, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

Eleição de deputados fará a diferença

É verdade: o Centrão quis chegar ao poder sem precisar sentar à mesa de negociação depois da eleição. Mas não não devem ver problema: o grupo está cuidando de construir as bases para ser forte no próximo governo, quem quer que seja o presidente. Essa força se dará através das bancadas no Congresso, em especial as da Câmara.

O PP, por exemplo, pretende continuar a ser o que é hoje: o principal partido do centro e peça chave em qualquer governo. O partido de Ciro Nogueira calcula eleger pelo menos 60 deputados federais – há projeções que indicam mais de 70. Esse esforço pode ser medido no Piauí: elegeu uma deputada federal em 2014. Agora acredita fazer dois...ou três.

O MDB, que em 2014 elegeu mais de 60, quer ter performance próxima da eleição anterior. Já o DEM pretende crescer: calcula que pode eleger pelo menos 40 deputados federais. Por essas contas, somente as três principais siglas teriam mais de 150 deputados.