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Delação de Palocci deve ter ‘efeito zero’ na campanha


Antonio Palocci: revelações muito graves contra Lula e Dilma, mas que devem ter "efeito zero" na campanha eleitoral

 

Veio a público os termos da delação do ex-ministro Antonio Palocci. Segundo relevou à Polícia Federal, as duas campanhas de Dilma Rousseff à presidência da República somaram R$ 1,4 bilhão, muito acima dos R$ 503 milhões declarados. Para efeito de comparação, o valor corresponde a metade de todo o orçamento da prefeitura de Teresina em um ano. Os números deveriam escandalizar. Mas saem do campo policial e entram na esfera política, com efeito praticamente nulo sobre, por exemplo, o processo eleitoral.

O acordo feito por Palocci com a PF, entrega a cúpula do PT, incluindo a si mesmo – que por mais de uma década foi pessoa chave do governo Central, seja com Lula ou Dilma. Diz, por exemplo, que Lula sabia dos esquemas de corrupção na Petrobrás desde 2007, que o ex-presidente trocou nacos do pré-sal por propina e que Dilma participava pessoalmente de reuniões com empresários para acertos de corrupção.

A delação de Palocci vai reduzir sua pena. Mas não vai poupar o bolso do ex-ministro, que terá que pagar uma multa de R$ 37,5 milhões. Uma grana e tanto, acumulada basicamente por esquemas de corrupção.

As revelações, em tese, têm o peso suficiente para gerar um amplo debate e produzir consequências. Mas não deve acontecer nada. Talvez nem mesmo na disputa pelo Senado, em Minas, onde Dilma lidera. Vale lembrar: Palocci disse que Dilma gastou na campanha de 2014 cerca de R$ 800 milhões, mais que o dobro do valor oficialmente declarado.

Como acontece no Brasil há uns 4 anos, tudo vira política. E na política é como no futebol: não há racionalidade, só paixões. Assim, os números de Palocci não querem dizer nada. Os petistas continuarão a afirmar que são perseguidos e os que chamam os petistas de larápios, continuarão a fazê-lo.
 

O ‘caixa 2’ volta a se revelar

O ex-presidente Lula reagiu rápido à publicação da delação de Antonio Palocci. Segundo ele, o ex-ministro mente para conseguir vantagens. Pode até ser, mas desembolsar R$ 37,5 milhões na forma de multa não é uma grande vantagem, a não ser para quem conseguiu tanto dinheiro por caminhos tortos.

Independente do juízo dos acusados, a delação traz um fato que de tão repetido perde a força, apesar dos valores: o “caixa 2”. De acordo com Palocci, o “caixa 2” de Dilma somou R$ 900 milhões, em duas campanhas. Segundo ele, em 2010 ela gastou R$ 600 milhões, mas declarou somente R$ 153 milhões. Em  2014, os gastos seriam de R$ 800 milhões, mas a declaração apresentada ao TSE apontou “apenas” R$ 350 milhões.

Tantos milhões se perdem nas apaixonadas discussões da campanha.