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O que acontece com Marina?


Marina Silva: sem marcar diferença, a candidata do partido Rede perde o capital político acumulado nas campanhas de 2010 e 2014

 

Há não mais que seis meses, ela aparecia como uma alternativa, rivalizando com Jair Bolsonaro (PSL) a condição de segunda colocada nas pesquisas, em cenário com Lula (PT). Mas o tempo foi passando e ao invés de deslanchar ela definhou. E Marina Silva (Rede) aparece agora com menos de um quarto das intenções de voto que tinha a princípio. A pergunta que fica é: o que aconteceu com Marina? Em que o desempenho dela diz não apenas da candidatura da ex-ministra como de toda a disputa pela presidência da República?

Segundo a última pesquisa Ibope (Registro TSE: BR- 08650/2018), Marina tem apenas 4% das intenções de voto. Em termos de votos válidos, equivaleria a cerca de 5%. Vale lembrar, em 2010 ela chegou a 19,6 milhões de votos, ou 19,33% dos sufrágios válidos. Em 2014 chegou a 22,1 milhões de votos, passando a 21,3% do total atribuído a algum candidato. Se a pesquisa se confirmar, vai ser um tombo e tanto.

Há alguns aspectos que devem ser levados em conta para explicar essa queda.

Polarização: Marina não conseguiu ser nem carne nem peixe. Nem se firmou como anti-PT, tampouco como anti-Bolsonaro. Esses dois polos ficaram com Fernando Haddad e o próprio Bolsonaro, que personificaram uma polarização que desinflou os demais concorrentes.
Discurso insípido: a candidata do partido Rede não conseguiu um tom de discurso que a diferenciasse ou motivasse algum segmento. Não era o nome anti-sistema de 2010 nem o contraponto ao PT, que conseguiu ser até quase o final do primeiro turno, em 2014.
Sem projeto de país: Marina não consegue deixar claro o que pensa. O eleitor não consegue perceber um projeto de país. E, assim, sem projeto e sem seguidores automáticos (caso do PT e Bolsonaro), ela perdeu o bonde.
Sem capilaridade: mesmo em tempos de redes sociais, ter grupos de apoios é fundamental. E marina não conseguiu nem grupos partidários (caso do PT) nem apartidários (caso de Bolsonaro).
Ausência fatal: Marina foi muito ausente nos debates após a eleição de 2014 e até meados de 2018. Daí, a alta lembrança de seu nome que se traduzia inicialmente em intenção de voto foi perdendo consistência. O eleitor foi buscando alguém mais presente e mais claro quanto ao que dizia e queria.
Legislação: para completar, Marina Silva paga também pelas regras de campanha, onde seu partido – minúsculo e sem alianças razoáveis – tem pouco espaço de propaganda no rádio e TV e também pouco dinheiro do Fundo Eleitoral.

Nesse quadro agravado pela polarização entre petistas e anti-petistas/anti-sistema, Marina foi tragada e viu suas intenções de voto declinarem. Pelo menos aí ela pode dizer que não está só: Ciro Gomes e Geraldo Alckmin são em parte também vítimas do embate entre os extremos.