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Disputa pelo Planalto vira escolha do ‘quem eu odeio menos?’



O índice de rejeição dos líderes das pesquisas de intenção de voto para a Presidência da Republica vai alcançando, este ano, um patamar único e elevado, no comparativo com outras disputas pelo palácio do Planalto. É o que revela a série de pesquisas realizadas pelos institutos, reafirmada na nova pesquisa realizada pelo IBOPE e divulgada ontem.

A pesquisa (Registro TSE BR-08245/2018) não traz surpresas em relação à sondagem anterior, que já apontava Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) como os líderes tanto das intenções de voto como das rejeições. Há duas diferenças nesses números, no comparativo com disputas presidenciais anteriores. A primeira é o crescimento vertiginoso de um candidato na reta final da disputa, no caso de Fernando Hadadd. Nessa surpresa está também a explosão de rejeição do candidato petista, que saiu de 23% para 37% em apenas um mês.

O outro fato que surpreende é o índice de rejeição dos dois. Nunca os candidatos relevantes em uma disputa pelo Palácio do Planalto tinham rejeição tão elevada: Haddad com 37% e Bolsonaro com 42%. Quem chegou mais perto disso foi Dilma Rousseff (PT), em 2014, quando alcançou 31%, segundo acompanhamento do próprio IBOPE.

O acirramento da disputa entre duas alternativas costuma concentrar também o sentimento de rejeição, onde um lado exclui o outro como opção possível. Mas este ano há algo mais que a simples polarização: em 2018, a polarização se dá pelos extremos, levando em conta que o PT – que depois de 1995 se deslocou para o centro – vem desde 2014 se movimentando para o extremo, com um discurso mais radizalizado, aquele do “nós contra eles”. Bolsonaro já nasceu com um discurso posicionado no extremo do lado direito.

Como perspectiva eleitoral, podem ter acertado. Mas não é um discurso que ajuda a construir a tão sonhada pacificação. Essa pacificação era vista como um dos resultados a ser buscado na eleição deste ano. Não parece ser a colheita previsível. Sobretudo porque a radicalização dos discursos elevou a rejeição, que não vem mais de um único lado, mas de vários.

Corre o risco da escolha deste ano ser norteada pela pergunta: “Quem eu odeio menos?”.