Cidadeverde.com

‘Centrão’ e velhos caciques dominam disputa pelo Senado

Na eleição que prometeu ser a da renovação, o que vai se vendo é a presença de nomes bem conhecidos, os tradicionais da política. É um fenômeno em todas as disputas, com a continuação e retorno de velhos caciques ao comando dos governos estaduais. Na Câmara, a eleição deste ano deve emplacar a menor renovação das últimas décadas. E no Senado a disputa aponta para a provável eleição de senadores que retornam ou de ex-governadores que lá desembarcaram, uma boa parte voltando à Casa que já frequentaram.

As últimas pesquisas sobre a disputa para o Senado são bem reveladoras. E isso fica claro no quadro abaixo, em que selecionamos os três primeiros colocados na corrida por duas vagas de senador por estado.

Região Norte

Só o Amapá de Randolfe Rodrigues (REDE) evita um líder do “centrão” em todos os estados, com o detalhe de que o segundo posto cabe a Janete Capiberibe, do PSB. Os demais líderes são do “centrão”. Até mesmo o velho reduto petista do Acre coloca em risco a eleição de Jorge Viana, hoje em terceiro lugar. Também corre risco Vanessa Graziotin (PCdoB), também em terceiro no Amazonas.

Região Nordeste

Na região em que o lulismo se mantém em alta, o PT lidera apenas em dois estados: Bahia e Pernambuco. É verdade que em alguns estados – como Piauí e Ceará – isso se dá às custas de alianças que levam outras siglas para a liderança, como o PDT no Ceará e o nada esquerdista PP de Ciro Nogueira, no Piauí. Outras raposas podem retornar de mãos dadas com o PT, a exemplo de Renan Calheiros (MDB-AL). Na lista de velhos conhecidos que lideram aparecem ainda Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Edison Lobão (MDB-MA), ou Sarney Filho (PV), vice-líder no Maranhão.

Região Sudeste

O Sudeste deve mandar de volta para o Senado o senador Magno Malta (PR-ES) e eleger o ex-governador César Maia (DEM-RJ). Fora do Centrão, Eduardo Suplicy (PT-SP) deve ganhar seu terceiro mandato, assim como Dilma Rousseff (PT-MG) deve estrear na Câmara Alta. As “novidades” devem ser Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e Márcia Gabrilli (PSDB-SP). Figurinha carimbada da política dos últimos 25 anos, Lindbergh Farias (PT-RJ) corre sérios riscos.

Região Sul

No Paraná, os dois líderes são antigos caciques locais: Roberto Requião (MDB) e Beto Richa (PSDB). É a mesma situação de Santa Catarina, com três caciques à frente das pesquisas. E no Rio Grande do Sul os líderes já sabem o que é ser senador: Fogaça (MDB) e Paim (PT). Dos seis nomes que estão em 1º ou 2º lugar nos três estados, só um – Paulo Paim – não faz parte dos partidos de centro.

Região Centro-Oeste

Novidade mesmo quem pode trazer é o Centro-Oeste. Goiás pode eleger um comunicador polêmico (Jorge Kajuru, do PRP) e o Distrito Federal está preste a eleger a Leila do Vôlei (PSB), conhecida dos brasileiros pelo talento dentro das quadras, vestindo a camisa da seleção. Para completar, o DF coloca em risco a continuidade do respeitado senador Cristovam Buarque (PPS). Mas nem tudo é essa mudança toda. Em Goiás mesmo Lúcia Vânia (PSB) está em segundo lugar. No Mato Grosso, o cacique Jaime Campos (DEM) está na frente, assim como Nelson Trad (PTB) ocupa o primeiro posto das pesquisas no Mato Grosso do Sul.