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Desempenho de Haddad no Nordeste preocupa PT

A reta final da campanha de Fernando Haddad (PT) à presidência da República deveria ser São Paulo. Os motivos eram mais que óbvios: é o estado do candidato e é também o maior eleitorado do Brasil, respondendo por 22,4% do total. Mas os sinais emitidos pelo eleitorado do Nordeste nas últimas pesquisas assombraram o PT, que mudou de rota. Haddad desembarcou ontem na Bahia para tentar reforçar-se na região e frear o crescimento dos votos de Jair Bolsonaro (PSL) entre os nordestinos.

O que assombra o PT, além do crescimento de Bolsonaro, é o risco de ver trincado seu vaso de cristal, o reduto nordestino que garantiu a eleição dos petistas nas três últimas disputas presidenciais. Não que Haddad vá mal. Longe disso. Mas não vai tão bem como na eleição de 2014, quando Dilma somou no Nordeste (no segundo turno) uma diferença de 12 milhões de votos a mais que Aécio Neves. No Piauí, por exemplo, já no primeiro turno a candidata petista teve 70,6% dos votos válidos, subindo no segundo para 78,3%. Desempenho bem distante da realidade de hoje.

Olhando as intenções de votos apontadas pelas pesquisas do IBOPE nos nove estados, a comparação com os resultados de Dilma só encontra uma única vantagem para Haddad: é o estado de Pernambuco. E isso tem uma explicação bem simples: em 2014, Pernambuco tinha em Marina Silva a preferência em razão da aliança que fez com Eduardo Campos. Eduardo morreu em um acidente, Marina saiu da condição de vice e disputou a presidência e foi coberta de apoio pelos pernambucanos (quase metade dos votos válidos), os mesmos pernambucanos que depois se decantaram por Dilma no segundo turno.

A situação vivida por Pernambuco em 2014 agora é encontrada no Ceará, onde o líder não é nem Haddad, nem Bolsonaro. Lá Ciro Gomes (PDT), como filho político da terra, tem metade das intenções de voto. E Haddad alcança apenas 27% dos votos válidos, segundo a última pesquisa IBOPE.

Independente dos casos particulares de Pernambuco e Ceará, o certo mesmo é que Haddad está um bocado distante do desempenho de Dilma no Nordeste. No Piauí, que em 2014 deu o melhor desempenho à candidata petista no primeiro turno, Haddad fica mais de 16 pontos atrás: Dilma teve 70,6% dos votos válidos contra os 54% agora projetados pelo IBOPE no primeiro turno. Na Bahia, a diferença é de 15 pontos percentuais.

O PT sabe do tamanho da resistência que enfrenta no Centro-Sul do país, onde está a maior parte do eleitorado brasileiro. Daí a atenção ao Nordeste, como forma de resgatar a força do partido e contrabalançar o antipetismo na parte sul. Aqui são quase 40 milhões de votos do total de 147,5 milhões de brasileiros votantes. Percentualmente, o Nordeste tem 26,6% dos votos nacionais, ficando atrás apenas do Sudeste, que soma 43,3% dos votantes.

Convém não descuidar.