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Segurança é o tema da eleição mais comentado nas redes

Antes da campanha começar, havia certezas: esta seria a eleição do novo, da ética que condenaria qualquer um relacionado com a Lava Jato e uma eleição que seria norteada pelas redes sociais. O resultado é bem distante: o novo não apareceu e a eleição deve ter a menor renovação da história; a ética não foi levada em conta e os envolvidos na Lava Jato estão quase todos retornando; e as redes sociais tiveram importância, mas longe do que se apregoava.

Temas que apareceram nas redes sociais com importante frequência simplesmente estavam ausentes das discussões dos candidatos. Exemplo? A corrupção. Este foi um tema usados por candidatos que não estavam na liderança. Veja-se o caso da disputa pelo Senado no Piauí: esse tema era de Robert Rios (DEM), o quinto colocado nas intenções de voto, segundo a pesquisa Opinar/Cidade Verde.

Levantamento da plataforma Torabit feito para o BR18 mostrou o ranking dos temas nas redes sociais. A segurança foi o assunto mais citado, apesar das pesquisas colocarem a saúde como principal problema para o cidadão. A Torabit analisou 10 milhões de postagens sobre o tema eleições, de 31 de agosto até a sexta-feira.

A segurança é líder com folga: 41% dos temas das postagens. A segunda colocação cabe ao tema corrupção, com 13%, seguido de pautas identitárias (questões raciais, de gênero, etc.), com 10%. Aí então aparecem educação e saúde.

Os dados mostram um certo descompasso entre os temas das redes o os assuntos da campanha dos candidatos. Mais ainda: há diferenças importantes entre esses temas e os candidatos que realmente se destacaram.
 

Bolsonaro, um produto das Redes?

O papel das redes sociais nesta eleição ainda vai ser motivo de muita discussão. Uns vão mostrar o fenômeno Jair Bolsonaro (PSL) como a prova de que as redes são tudo. Outros vão apontar para João Amoêdo – por quase todos considerada a melhor rede social da campanha – como a tradução do fracasso. Talvez nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Talvez seja preciso entender que as redes sociais não são "o canal" de comunicação, mas apenas um canal a mais no mix de comunicação. Quem achar que elas não contam está incorrendo no mesmo erro que dos que a consideram “tudo”. E Bolsonaro talvez seja a melhor tradução disso. Ele usou bem as redes sociais. Mas transformou adesão virtual em mobilização física, tradicional.

Basta conferir os grupos que se reúnem para consolidar a mobilização pró-Bolsonaro. As redes sociais abrem as portas. Mas sem um passo adiante, elas não representam tanto.