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Pela sobrevivência, partidos já negociam fusões

A redução do número de partidos que muitos esperavam para esta eleição não aconteceu nas urnas. Mas deve começar a se materializar nas próximas semanas, quando os partidos que não alcançaram as regras da cláusula de barreira vão começar a buscar a sobrevivência financeira, fundamental para a meta princvipal – a sobrevivência política. Os primeiros contatos para fusão já estão em curso, tendo à frente Patriota, PTC, PHS e PRP.

As regras eleitorais aprovadas no ano passado estabeleceram a cláusula de barreira, que exige um desempenho mínimo para o partido ter direito aos recursos do Fundo Partidário e a tempo de propaganda no rádio e TV. A intenção é reduzir o número de siglas. A barreira para a eleição deste ano determina uma votação mínima de 1,5% do total de votos para a Câmara dos Deputados em todo o Brasil, com pelo menos 1% em nove estados. Também exige a eleição de pelo menos 9 deputados, também em estados diferentes.

A votação do domingo apontou que 16 partidos elegeram 9 deputados ou mais. Mas há casos como o PCdoB, com 9 eleitos, 2 deles no Maranhão. Ou o PSOL, que elegeu 10 deputados federais, mas 4 estão no Rio de Janeiro. Dessa forma, nem PCdoB nem PSOL cumpririam a exigência da cláusula de barreira de ter eleitos em 9 estados distintos. Uma alternativa é a sigla somar mais de 1,5 milhão de votos. Ou buscar a fusão de partidos como caminho da sobrevivência.

Esse caminho já está sendo discutido por quatro siglas, todas elas longe dos 9 deputados federais necessários. Juntas, elas somariam 17 deputados: PHS elegeu 6 deputados, o Patriota outros 5, o PRP acrescentaria mais 4 e o PTC contribuiria com 2 (um deles a piauiense Dra. Marina). As conversações estão ainda no início, mas os presidentes das quatro siglas devem se reunir em Brasília já nesta semana.

É possível que os entendimentos andem rápidos, já que não têm muitas alternativas.
 

Os partidos com mais de 9 deputados

A eleição deste ano reafirma a fragmentação na composição da Câmara dos Deputados. São 30 siglas com representação na Casa, referência para a distribuição dos recursos do Fundo Partidário e o tempo de propaganda no rádio e TV. É o maior número de partidos em uma eleição. Em 2010 foram 22 siglas com deputados eleitos, o que parecia um absurdo sem tamanho. Pois em 2014 esse número chegou a 28 e agora fechou a conta em 30.

PT segue como a maior bancada, embora elegendo 13 a menos que em 2014. Mas quem mais despencou foi o MDB, que há quatro anos elegeu 66 deputados e agora caiu para 34. Quem também deve reunir os cacos é o PSDB, que em quatro anos saiu de 54 para apenas 29 representantes na Câmara. Quem festeja é o PSL de Jair Bolsonaro. O partido saiu de uma única cadeira na Câmara, em 2014, para 52 assentos na eleição de domingo.

  PARTIDO ELEIÇÃO 2014 ELEIÇÃO 2018
1 PT 69 56
2 PSL 1 52
3 PP 38 37
4 MDB 66 34
5 PSD 36 34
6 PR 34 33
7 PSB 34 32
8 PRB 21 30
9 PSDB 54 29
10 DEM 21 29
11 PDT 19 28
12 SOLIDARIEDADE 15 13
13 PODEMOS - 11
14 PTB 25 10
15 PSOL 5 10
16 PCdoB 10 9

Os demais 14 partidos que elegeram deputados federais são os seguintes: PSC, PROS, PPS e Novo (8 deputados, cada), Avante (7 deputados), PHS (6), Patriota (5), PV e PRP (4 deputados, cada), PMN (3), PTC (2) e Democracia Cristã, Rede Sustentabilidade e PPL (1 deputado, cada).