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Votação do PT retorna ao patamar de 1994

 

Desde 2002, o PT chegou ao segundo turno em todas as cinco eleições presidenciais. Mas o resultado deste ano tem duas importantes diferenças. A primeira é que o partido chega à segunda volta sem ser o líder de votação. A segunda diferença, certamente mais preocupante, é que chega em uma enorme desvantagem. Para completar, o PT deu um grande passo atrás e voltou a ter percentual de votos abaixo dos 30%, coisa que não acontecia desde 1994.

O ápice do desempenho de votos do PT nas eleições presidenciais foi em 2006, quando Lula chegou a 48,61% dos votos válidos no primeiro turno. A partir daí começou um decréscimo que culmina agora com os 29,28% dos votos válidos alcançados por Fernando Haddad. Esse desempenho é pouco acima dos 27,07% de Lula em 1994. Está abaixo dos índices registrados nas cinco campanhas seguintes.

Este é o desempenho do PT, em primeiro turno, desde 1989:
1989 – Lula, 17,18% (foi para o segundo turno e perdeu para Fernando Collor)
• 1994 – Lula, 27,07% (perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso)
• 1998 – Lula, 31,71% (perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso)
• 2002 – Lula, 46,44% (foi para o segundo turno e venceu José Serra)
• 2006 – Lula, 48,61% (foi para o segundo turno e venceu Geraldo Alckmin)
• 2010 – Dilma, 46,91% (foi para o segundo turno e venceu José Serra)
• 2014 – Dilma, 41,59% (foi para o segundo turno e venceu Aécio Neves)
2018 – Fernando Haddad, 29,28% (vai para o segundo turno contra Jair Bolsonaro).

Claramente, o PT voltou ao patamar de 1994, quando Lula foi derrotado logo no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Naquela disputa, FHC alcançou 54,24% dos votos válidos. Agora em 2018, Bolsonaro teve 46,03%. Talvez não tenha vencido logo no primeiro turno pela presença de nomes como Ciro Gomes (PDT), que teve 12,47% dos votos válidos. Em 1994, o terceiro colocado foi o folclórico Eneas Carneiro (PRONA), que alcançou 7,38% dos votos.

O PT terá ainda que superar uma barreira histórica: das sete eleições presidenciais anteriores, houve segundo turno em cinco. Em cada uma delas, o vencedor do primeiro turno foi também o vencedor da disputa final.
 

Partido terá que enfrentar a autocrítica

Seja qual for o resultado do segundo turno, as eleições deste ano devem gerar uma profunda discussão interna no PT. Se o resultado for a derrota para Jair Bolsonaro, a discussão deve ser ainda mais profunda. O partido vem perdendo eleitor desde 2006 e viu agora importantes referências – Dilma Rousseff, Eduardo Suplicy, Lindbergh farias, Fernando Pimentel – ficarem sem mandato.

Para completar, Lula está condenado e preso. O mito em torno do ex-presidente até pode ser fortalecido, mas pode não render mais tantos votos em eleições futuras. E tudo isso obriga o partido a se repensar.

Desde o mensalão, há mais de dez anos, muita gente dentro do PT cobra autocrítica. Não aconteceu. Mas talvez agora aconteça, por absoluta necessidade.