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Candidatos fracos ampliam dúvidas sobre o Brasil de 2019


Fernando Haddad e Jair Bolsonaro: discursos desencontrados e propostas imprecisas aumentam dúvidas sobre o futuro

 

As eleições costumam trazer dúvidas sobre os rumos do país, ainda mais quando são “novatos” os postulantes ao principal cargo executivo da Nação. Mas este ano a dúvida ganha uma dimensão ainda maior. A razão é a falta de liderança dos candidatos que chegam, ao segundo turno da disputa pelo Palácio do Karnak. Os candidatos são fracos. E as dúvidas ganham força.

Quando se diz que os candidatos são fracos não tem nada a ver com capacidade técnica, nem mesmo com a força popular. Fernando Haddad (PT) é apontado como tecnicamente capacitado. Jair Bolsonaro (PSL) tem a força popular. Mas ambos carecem de liderança, carente de ressonância substantiva junto aos principais setores do país.

Haddad fala para alguns públicos referenciais, mas por procuração – pelo PT ou por Lula. Mas tanto PT quanto Lula já não têm a força de antes. Se comparado com 2010, há um abismo de distância: à época, Dilma Rousseff carregava uma aura de boa gestora (o que Haddad construiu no MEC e desfez na prefeitura de São Paulo). E tinha o aval de Lula, que Haddad tem – mas Lula hoje é uma sombra do que foi. O próprio PT se desgastou, e basta ver que conseguiu o seu 3º pior desempenho de um primeiro turno nas 8 eleições presidenciais.

Bolsonaro sequer se esforça para dialogar com as instituições, ainda que muitas delas estejam desejosas desse diálogo – em grande parte, por ver nele o futuro presidente. É possível que Bolsonaro recorra a essa estratégia por uma questão eleitoral e que, caso seja mesmo eleito, logo estenda pontes para diversos setores sociais e políticos. Mas até lá, ele ajuda a alimentar as dúvidas.

Dúvidas que são grandes tanto no campo político (onde quem quer que seja o eleito enfrentará muitas dificuldades) como no econômico. Nesse caso, a insegurança aumenta diante das falas superficiais dos candidatos. E mais ainda pelas divergências que têm frente às crenças e falas de seus gurus econômicos.
 

Divergências ficam bem visíveis

Setores do empresariado como a Confederação Nacional da Indústria têm repetido uma reclamação: ninguém sabe o que esperar dos candidatos em matéria de economia. Essa falta de um horizonte minimamente palpável pode ser lida por três motivos. Primeiro, os planos de governo que são propostas inacabadas e genéricas. Segundo, as falas dos candidatos, imprecisas e oportunistas (por exemplo, defender uma reforma da previdência que “corta privilégios” sem dizer o que é isso). Terceiro, as divergências entre candidatos e assessores econômicos.

No caso de Bolsonaro, os assessores (e o plano de governo) falam em vender estatais, mas o candidato acabou de criticar a venda da Eletrobrás. Para completar, diz que estatais como BB, CEF e Petrobrás estariam fora. Ou seja: enterrou a proposta. No lado de Haddad, a assessoria econômica negava a necessidade de reforma da previdência. O candidato diz que fará, sem dizer qual – talvez interessado somente em atrair simpatias junto a investidores.

Seja qual for a intenção das falas, os desencontros ampliam as dúvidas.

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