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Ciro e Wellington buscam alternativa a Themístocles na Alepi


Themístocles Filho: nome de referência do MDB na Assembleia, agora sob a mira de Wellington Dias e Ciro Nogueira

 

Há um velho ditado da política segundo o qual a oposição a um governo normalmente sai do próprio governo. Talvez devêssemos acrescentar que isso é mais verdade ainda no caso de governos com amplas e acachapantes vitórias, como a de Wellington Dias (PT) no último dia 7, quando elegeu mais de 80% do Legislativo. Mas um fato está contrariando esse ditado: normalmente, é um pedaço do governo que se faz oposição. Agora é o núcleo central do governo que quer empurrar um pedaço específico para a oposição.

O núcleo duro do governo está em dois partidos: o PT de Wellington e o PP de Ciro Nogueira. Ambos estão olhando o MDB como o pedaço a ser jogado na oposição. E esse esforço começa pelo mais importante naco de poder político fora do Executivo: a presidência da Assembleia Legislativa. É como se Wellington e Ciro quisessem, agora sem deixar dúvidas, fazer barba, cabelo e bigode. Passar o rodo – e arrastar o MDB para o ralo.

Mas a tarefa pode não ser assim tão fácil como parece.

Vale lembrar, em 2015, Wellington fez das tripas coração para eleger Fábio Novo (PT) presidente do Legislativo. Foi derrotado por Themístocles Filho (MDB). Agora a intenção se repete. Outra vez Themístocles e o MDB são o alvo.

Os governistas têm quatro nomes postos: o petista Francisco Limma e os progressistas Wilson Brandão, Hélio Isaias e Júlio Arcoverde. Pelo MDB há mais de um pretendente, mas o nome de referência é mesmo Themístocles. Segundo se diz nos corredores da Assembleia, a candidatura da oposição começaria de dez votos – cinco do PP, cinco do PT. E o apoio a Themístopcçes partiria de 11 ou 12.

São cálculos imprecisos, principalmente porque a votação é secreta. Vale lembrar: na véspera da votação de 2015, Novo fez um jantar com 21 deputados. Na urna só apareceram 14 votos.
 

Nem todos os ovos na mesma cesta

No mundo político, diz-se que não se pode colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Ou seja, não de pode dar poder demais a um único grupo ou liderança. O final do atual mandato de Wellington, praticamente sem oposição, não reforça o ditado. Mas agora há gente pensando que deve ser diferente: o Poder Executivo não pode ter o controle direto do Legislativo.

É aí que ganha fôlego a candidatura do MDB, como contraponto ao poderio do PT – que tem o governador e a vice. Além disso, a eleição da mesa diretora da Assembleia e especificamente do presidente vai marcar o primeiro passo do jogo de xadrez que termina em 2022. É isso que anima tanto Ciro quanto Wellington.

Ainda que os dois tenham projetos distintos.