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Eleição 2018 traz ecos de 2013 e mudança de ciclo


Manifestação na Avenida Paulista, em junho de 2013: protestos contra a velha política chegam às eleições de 2018

 

Estamos a apenas 6 dias das eleições presidenciais em segundo turno. Se não acontecer um vendaval – algo nunca descartádo em política – e as pesquisas estiverem corretas, Jair Bolsonaro (PSL) tem tudo para vencer no domingo, dia 28. Na confirmação desse horizonte, acontecerá uma das mais significativas mudanças no desenho político brasileiro.

A perspectiva de vitória de Bolsonaro está sendo apontada como uma mudança de ciclo, golpeando o que alguns cientistas políticos qualificam de República do Real. Ainda segundo cientistas que fazem esse tipo de análise – como Marcos Nobre, da Unicamp –, a mudança de ciclo encerra o que se poderia nominar de Etapa da Socialdemocracia, incluindo aí tanto PSDB quanto PT.

O encerramento dessa etapa tem muito a ver com o rechaço ao modelo de democracia vigente no país. É um modelo que, na perspectiva do cidadão, faliu. Mas o grito do cidadão contra esse tipo de política não acontece somente agora. O próprio Marcos Nobre enxerga nas grandes manifestações de 2013 um brado contra o modo atual de se fazer política.

Sinais desse desconforto já poderiam ser percebidos em 2014, ainda que as opções fossem de dentro do Sistema. Em 2016 o eleitor deixou mais claro seu descontentamento, sobretudo em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, onde elegeu prefeitos que se distanciavam do perfil “normal”. Agora em 2018 a mudança veio de enxurrada, traduzida não apenas na grande votação de Bolsonaro já no primeiro turno como também na eleição de um montão de novatos para o Parlamento.

É a mudança de ciclo, que é contra o PT e também contra o PSDB. Aliás, contra todos os principais atores da política.

Essa mudança deve implicar em alguma alterações também no comportamento dos políticos, seja no exercício de seus mandatos – aí incluindo o próximo presidente da República –, seja na relação com o eleitor. Os primeiros gestos e atos dos que assumem no início do ano serão medidos com essa nova régua.
 

Bolsonaro não poderá repetir fórmulas

Se confirmar o favoritismo, Jair Bolsonaro terá como primeiro desafio no Planalto se portar conforme o sentimento do eleitor. Em outras palavras: não poderá simplesmente repetir fórmulas tradicionais, aquelas em que um coordenador político se senta com os líderes do Congresso e desejam o Governo, com a "natural" divisão de cargos.

Caso abrace esse modelo, poderá facilmente ser acusado de promover um verdadeiro estelionato eleitoral. Isso porque os votos que o candidato do PSL recebe são divididos por três: uma parte tem os votos ideológicos, de direita; outra, os votos contra o PT; e uma terceira, talvez a maior parcela, de gente que votou “contra o que está aí”, contra a política de sempre.

Repetir as velhas fórmulas será agredir as motivações desse eleitorado.