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Lambança de filho de Bolsonaro cria esperança no PT


Eduardo Bolsonaro: declarações desastrosas do deputado criaram polêmica e levaram alguma esperança à candidatura Haddad

 

Os ânimos estão acirrados, mas o cenário mostrava uma entediante estabilidade: na pesquisa em que se sai pior, Jair Bolsonaro (PSL) apresenta uma vantagem de 14 pontos percentuais sobre Fernando Haddad, o candidato do PT. Mas campanha é como nuvem: você olha é de um jeito; daí torna a olhar, e já mudou. Já meio desesperançado, o PT viu um vento novo que até pode alterar a formação das nuvens eleitorais. E esse vento atende pelo nome de Eduardo Bolsonaro, o filho de Jair, deputado federal por São Paulo.

O vídeo em que Eduardo despeja inconsequentes e perigosas bravatas repercutiu como poucas coisas nessa campanha. Foi, no dizer do ministro Alexandre de Moraes, um “absurdo atentado verbal”. Em desacordo com o estilo do filho de Bolsonaro, o ministro do STF foi suave na fala. O teor do vídeo é um absurdo sob qualquer ótica, inclusive por ser a fala de um deputado eleito democraticamente.

O pai disse que a fala é um caso de atenção psiquiátrica. O vice, general Mourão, foi no mesmo tom. E o até próprio Eduardo, depois de dizer que a fala não era bem aquilo, reconheceu que é mesmo um caso de tratamento mental. Seja como for, o filho do candidato deu uma enorme oportunidade para Fernando Haddad criar um clima que possa modificar alguma coisa do cenário até então amplamente favorável ao candidato do PSL.

Diversas instituições se manifestaram, como a OAB e a Ajufe. Também quatro ministros do Supremo deixaram bem claro o despropósito do deputado. E o medo da tentação autoritária ressurgiu com alguma força. Fernando Haddad tenta se apegar a essa nesga de esperança para tentar modificar o quadro eleitoral. Não é fácil. Mas não é impossível.

Amanhã sairá a nova pesquisa DataFolha. E ela já trará os reflexos dessa crise criada dentro do próprio quintal de Bolsonaro.
 

Novas pesquisas na reta final

O DataFolha programou para amanhã a sua nova pesquisa de intenção de voto. Será a primeira realizada após a polêmica do vídeo do filho de Bolsonaro. Na quinta será a vez da pesquisa do IBOPE. Se valer as pesquisas divulgadas ontem, a situação pode não sofrer abalos significativos. Foram duas pesquisas, ambas mostrando um Bolsonaro muito sólido.

Uma, a pesquisa MDA para a CNT (Registro BR-00346/2018) aponta Bolsonaro com 57% dos votos válidos, contra 43% de Haddad – uma diferença de 14 pontos percentuais. No caso da pesquisa FSB para o BTG Pactual (Registro BR-03689/2018), a diferença chega a 20 pontos: 60% contra 40% dos votos válidos. Para piorar, o petista tem alta rejeição: 52% dizem que não votariam nele, contra 38% de Bolsonaro. Para completar, 85% dos que votam no candidato do PSL dizem que o fazem por ser a melhor opção, índice que chega  a 75% no caso de Haddad. Outro dado: 10% dos eleitores de Bolsonaro dizem que votam par evitar o adversário, índice que chega a 18% entre os que votam em Haddad.

Tudo isso diz que o voto de Bolsonaro é muito consolidado. Mas, mesmo assim, é bom esperar o DataFolha.